Bucareste, 2 abr (EFE).- O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, disse hoje que acredita que a Cúpula, que começa dentro de algumas horas em Bucareste, seja palco de uma ampliação rumo a vários países do sudeste da Europa, em referência às candidaturas de Croácia, Albânia e Macedônia.

A declaração do secretário-geral pode ser interpretada como um apoio para que não se deixe de fora a Albânia caso a Grécia realmente vete a entrada da Macedônia por temer um movimento de anexação de sua província homônima a este país.

Alguns países da Aliança consideram que, caso seja vetada a entrada da Macedônia, também não deveria ser aceita a Albânia, já que o ingresso desta última seria apenas por questão de equilíbrio geográfico.

Sobre a questão da Grécia, que não concorda com o uso do nome Macedônia por considerá-lo parte de seu passado cultural, De Hoop se comprometeu a fazer "todo o possível" nas próximas horas para que as duas nações superem suas diferenças, porém declarou que esta é uma questão que foge da competência da Otan.

Embora o assunto deva ser discutido hoje, a decisão formal será tomada durante o conselho da Otan amanhã. Também serão debatidas as reivindicações da Ucrânia e da Geórgia de progredir no processo de adesão à Otan, que tem oposição da Rússia.

Sobre as relações com Moscou, De Hoop afirmou que acredita que o presidente Vladimir Putin chegará ao Conselho Otan-Rússia com um espírito construtivo, afastado de uma retórica de confronto.

O secretário-geral da Aliança Atlântica também fez menção à Sérvia, que passa por um momento crítico em suas relações com alguns países membros da Otan por causa da declaração de independência de Kosovo. Segundo ele, a Sérvia "tem seu espaço nas discussões do processo de integração" dos países balcânicos.

Com relação a outro assunto em pauta na agenda de Bucareste, a missão no Afeganistão, De Hoop rejeitou as acusações de fracasso e reafirmou sua vontade de que o regime talibã "nunca volte ao Afeganistão".

Em uma videoconferência com alunos da Universidade de Cabul, o secretário-geral da Otan afirmou que "cada inocente morto no Afeganistão é além da conta, mas, infelizmente, não é totalmente inevitável", pois os rebeldes "às vezes os usam como escudo humano".

EFE met/rr/fal

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