Secretário-geral da ONU: 'violência na África é culpa de líderes'

Em cúpula da União Africana, Ban Ki-moon disse que é preciso ouvir o povo para evitar problemas como os do Egito e Costa do Marfim

EFE |

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou neste domingo na frente de mais de 30 líderes africanos que a violência que está surgindo em vários países da África é resultado da falta de vontade por parte de seus líderes de atender os interesses de seu povo. "Os líderes de todo o mundo devem escutar de forma mais atenta e mais sincera a voz de seu povo, suas aspirações e suas esperanças de um futuro melhor", disse em seu discurso durante a 16ª Cúpula da União Africana, na Etiópia.

Ban chamou os governantes a prestar especial atenção à juventude e assegurou que "se cuidarem do jovem da África, ajudarão seu país a conseguir coisas grandes; mas se suas ambições são reprimidas, nos arriscamos a colher o descontentamento e a instabilidade". O secretário-geral da ONU pediu também "contenção no Egito, que evitem a violência e que respeitem as liberdades fundamentais e os direitos humanos".

Costa do Marfim

O presidente rotativo da União Africana (UA) e governante de Malauí, Bingu wa Mutharika, pediu a Laurent Gbagbo, que se autoproclamou vencedor das últimas eleições da Costa do Marfim, que "respeite a vontade dos marfinenses" e ceda o poder a Alassane Ouattara, candidato da oposição e reconhecido pela comunidade internacional como vencedor das eleições de novembro do ano passado.

Após as eleições presidenciais que foram realizadas na Costa do Marfim, Ouattara foi nomeado vencedor das eleições pela Comissão Eleitoral Independente (CEI), mas Gbagbo se negou a entregar o poder e alegou fraudes nas votações. Os dois candidatos à Presidência tomaram posse como presidentes da Costa do Marfim em duas cerimônias distintas e nomearam assessores.

Para tratar de solucionar a crise política da Costa do Marfim, a União Africana anunciou no sábado a formação de um painel composto por cinco representantes regionais para analisar a situação e colocar possíveis soluções. 

As crises da Tunísia e do Egito também foram objeto de debate dos líderes africanos, enquanto a transição para a democracia da Guiné foi louvada em várias ocasiões. No mês de novembro do ano passado, Guiné celebrou suas primeiras eleições democráticas que encerraram dois anos de transição militar e mais de cinco décadas de regimes autoritários. O país obteve independência d França em 1958.

Além de debater, a União Africana elegeu nesta manhã um novo presidente rotativo, o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, e está previsto que aprovem seu orçamento, que se calcula em US$ 250 milhões para 2011.

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