Secretário-geral da ONU chega a Mianmar para discutir ajuda

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou a Mianmar nesta quinta-feira para convencer a junta militar que governa o país a facilitar a entrada de ajuda internacional para as vítimas do ciclone Nargis. Agências internacionais presentes no país dizem estar fornecendo apenas 30% da ajuda necessária às pessoas afetadas pelo Nargis por causa das barreiras impostas pelos militares.

BBC Brasil |

Navios americanos, franceses e americanos estão ancorados na região do delta Irrawaddy, a mais arrasada pelo desastre, e ainda aguardam permissão para desembarcar toneladas de suprimentos.

Segundo os números oficiais, 78 mil pessoas morreram e 56 mil ainda estão desaparecidas 19 dias após a passagem do ciclone.

Centenas de milhares de pessoas perderam suas casas e as Nações Unidas afirmam que menos de um quarto das 2,4 milhões de pessoas afetadas pela tragédia receberam ajuda até agora.

Raiva
Lentamente, o governo começa a ceder à pressão internacional e recentemente autorizou que 10 helicópteros do Programa para Alimentação da ONU se unam às operações de regate.

Durante sua visita, Ban Ki-moon vai visitar as áreas devastadas pelo ciclone e, na sexta-feira, tem um encontro marcado com o general que comanda o país, Than Shwe.

O secretário sinalizou que sua visita deve se concentrar em "salvar vidas" e não em política.

"Nós devemos fazer o possível para a população de Mianmar", disse ele, ao embarcar em Bangcoc, na Tailândia.

"Este é um momento crítico. O próprio governo tem consciência que nunca houve um desastre desta magnitude no país".

No domingo, o secretário participa de uma reunião de doadores em Yangun, principal cidade do país.

A visita do secretário a Mianmar se segue à do coordenador humanitário da ONU, John Holmes.

Holmes descreveu as negociações com militares como "dolorosas e frustrantes".

O correspondente da BBC em Mianmar, que não pode ser identificado por razões de segurança, disse que alguns estudantes ameaçam fazer protestos se os militares não liberarem a entrada de ajuda internacional.

"As pessoas estão com raiva, muita raiva", disse uma birmanesa ao correspondente.

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