Secretário-geral da OEA viaja a Honduras para mediar crise

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, viajará nesta sexta-feira a Honduras para tentar restituir o presidente Manuel Zelaya, derrubado pelos militares, anunciou a OEA em comunicado.

AFP |

Insulza "viajará amanhã (sexta-feira) a Honduras para notificar os atores políticos sobre os termos da resolução aprovada pela Assembléia" da OEA, que deu um prazo de 72 horas às novas autoridades de Honduras para restituir Zelaya.

O prazo expira sábado.

Insulza já adiantou que será difícil trazer a normalidade políticas a Honduras em poucos dias.

"Não posso dizer que viajo confiante. Farei todo o possível, mas me parece difícil que tudo possa ser resolvido em poucos dias", disse Insulza hoje, após se reunir com os líderes das 15 nações que integram a Comunidade do Caribe, em Georgetown.

"Não vamos a Honduras para negociar. Vamos pedir que deixem de fazer o que estão fazendo até agora, e que busquem o caminho para o retorno à normalidade" democrática.

O presidente interino hondurenho, Roberto Micheletti, afirmou na véspera à AFP que seu governo não vai "negociar nada" com a OEA e que Zelaya "jamais voltará ao poder.

"Se a comunidade internacional considera que cometemos algum erro, algum crime, que nos condene e pronto. Aqui é a autodeterminação do povo", disse Micheletti, que considera que 80% dos hondurenhos concordam com a saída de Zelaya.

O presidente interino garantiu que Zelaya "jamais voltará ao poder" e, se retornar ao país, "será detido" para responder pelos 18 crimes de que é acusado.

Já Zelaya assinalou que Miguel Insulza "não vai negociar" com o governo provisório de Honduras, mas sim dar um "ultimato".

"O secretário Insulza não vai negociar. Por ordem de todos os governos do Conselho Permanente da OEA, vai informar que seu tempo acabou e que o mundo inteiro está condenando este golpe", disse o presidente deposto.

"Tem que prevalecer a vontade do povo e acabar o governo imposto pelas armas", destacou Zelaya. "Este sistema ditatorial não é válido e não será reconhecido pela comunidade internacional".

A previsão é de que Insulza viaje a Tegucigalpa com os presidentes de Argentina, Cristina Kirchner, e Equador, Rafael Correa, além do próprio Zelaya, da guatemalteca prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchú, e de diversos "artistas estrangeiros".

Se não prosperar a iniciativa, "a Assembléia Geral Extraordinária da OEA aplicará imediatamente o artigo 21 da Carta Democrática Interamericana para suspender Honduras" do organismo, destaca o comunicado.

cd/yw/LR

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