O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Jose Miguel Insulza, defendeu neste sábado a suspensão de Honduras, durante a Assembléia Geral extraordinária da OEA realizada em Washington para analisar o golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya.

"Não acredito que exista alternativa, se persistir esta posição, à aplicação do artigo 21 da carta democrática interamericana", disse Insulza à Assembléia, em referência ao artigo que prevê a suspensão do membro que não respeita a democracia.

Segundo Insulza, "não existe nenhuma disposição das autoridades de fato em Tegucigalpa para restituir Zelaya".

O secretário-geral apresentou à Assembléia o relatório sobre sua visita a Tegucigalpa, na sexta-feira, quando se reuniu com membros do Poder Judiciário.

Insulza não teve sucesso em sua tentativa de restituir Zelaya, no prazo de 72 horas, como impôs a OEA na semana passada.

Na noite de sexta-feira, o governo de fato em Honduras se antecipou a iminente suspensão e comunicou sua decisão de abandonar a OEA.

Na tarde deste sábado, Insulza reagiu ao anúncio de Tegucigalpa afirmando que a medida "não tem qualquer valor jurídico", já que trata-se de uma decisão de um governo não reconhecido pela comunidade internacional.

"É um governo que para os demais 34 países membros e para a comunidade internacional não existe juridicamente".

A Assembléia Geral extraordinária conta com a presença dos presidentes de Argentina, Cristina Kirchner, e Paraguai, Fernando Lugo; e o líder equatoriano, Rafael Correa, deve chegar à capital americana na manhã de domingo.

Honduras seria o primeiro país do continente a abandonar a OEA, criada em 1948 (Cuba foi suspensa em 1962, mas a sanção foi anulada em maio passado).

Zelaya, que participa da reunião em Washington, manifestou seu "otimismo" com a reação internacional ao golpe de Estado.

"Estou muito otimista porque todo mundo está repudiando estes atos" do governo interino de Honduras, disse Zelaya, que planeja voltar a Honduras no domingo.

O presidente deposto revelou que viajará a Tegucigalpa acompanhado de "vários presidentes", e convocou a população para recebê-lo no aeroporto da capital.

"Estou organizando meu retorno a Honduras (...). Vamos nos apresentar no aeroporto internacional de Tegucigalpa com vários presidentes, vários membros da comunidade internacional (...). Neste domingo, estaremos em Tegucigalpa", declarou Zelaya ao canal de notícias Telesur, com sede em Caracas.

O presidente deposto pediu a seus seguidores que o acompanhem "sem armas" no aeroporto de Tegucigalpa, e exigiu a saída do atual governo, que chamou de "seita criminosa".

O apelo de Zelaya foi atendido por centenas de manifestantes, que se concentravam na zona do Aeroporto Internacional de Toncontin.

A Igreja Católica hondurenha rompeu o silêncio que mantinha desde o golpe, no domingo passado, para pedir a Zelaya que não regresse ao país, evitando assim a violência.

O cardeal Oscar Rodríguez advertiu que "um retorno (de Zelaya) ao país neste momento poderá desatar um banho de sangue".

"Sei que o senhor ama a vida, sei que o senhor respeita a vida, e até o dia de hoje não morreu um só hondurenho. Por favor, medite porque depois será muito tarde", insistiu o cardeal Rodríguez.

Zelaya foi preso por militares e expulso do país no domingo passado, por ter tentado organizar um referendo sobre a possibilidade de um segundo mandato presidencial, medida considerada ilegal pela Suprema Corte.

gde/LR

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