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Secretário-geral da OEA fica sem palavras após visita ao Haiti

Washington - Sem palavras. Assim se disse o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, após sua viagem de dois dias ao Haiti para avaliar a resposta da associação interamericana perante a tragédia que vive a nação após o terremoto do último dia 12.

iG São Paulo com EFE |

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  • "Não tenho a capacidade para descrever em palavras as coisas que viram na televisão", disse Insulza perante o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) em uma sessão extraordinária convocada para expor a situação do país.

    "Não há nenhuma rua onde não tenha caído um grupo grande de imóveis, é impressionante ver a quantidade de edifícios que vieram abaixo completamente e que, curiosamente, não são os mais velhos da cidade".

    Em seu relato, Insulza apelou para a necessidade de coordenação entre os vários países que colaboram com a nação caribenha e as necessidades dos haitianos.

    "Não restaram escolas, nem hospitais, nem edifícios públicos", disse Insulza, que percorreu as ruas de Porto Príncipe, dizendo que não reconhecia nada. "Não tenho um lugar de referência de algo que eu conheço, a destruição é muito grande", afirmou.

    O secretário-geral, que esteve no Haiti na terça e na quarta-feira, falou da sensação "deprimente" que teve ao ver as principais praças da cidade com acampamentos cheios de gente que ou não têm casa ou têm medo de voltar às suas, por medo por medo de outro tremor.

    A situação é ainda mais preocupante, já que em 60 dias começa a temporada de chuvas e, por isso, Insulza fez coro com os pedidos do presidente haitiano, René Préval, à comunidade internacional para que envie barracas de campanha o mais rápido possível.

    A situação é crítica também para os 880 mil órfãos que já existiam antes do terremoto, aos quais se somam agora um número ainda desconhecido, mais outras 200 mil crianças que trabalhavam como empregados domésticos em casas que provavelmente caíram e muitos dos quais não têm família em Porto Príncipe.

    Entre os problemas, Insulza destacou o atendimento pós-operatório aos feridos quando abandonam o hospital, assim como o êxodo de cerca de 400 mil pessoas rumo ao campo.

    "Vai haver emergência por vários meses, ou até anos", assegurou o secretário-geral da OEA, que disse que em abril será conhecida a primeira confiável sobre os danos.

    No entanto, assinalou que há lugar para a esperança. "O povo não anda com cabeça baixa, querem encontrar algum lugar para tomar banho, comer. Apesar da catástrofe, as pessoas querem viver".

    O Haiti depende agora da comunidade internacional para reconstruir um país empobrecido economicamente e carente de instituições sólidas desde antes.

    Durante sua visita, Insulza se reuniu com o presidente Préval, a ministra de Exteriores, Marie Michéle Rei, e com os embaixadores dos países-membros da OEA que também vivenciaram o terremoto.

    O escritório da Organização no Haiti cedeu parte de suas instalações ao Ministério de Assuntos Exteriores e uma ONG ao Ministério da Justiça.

    "O Governo, os funcionários também estavam buscando sua gente, seus entes queridos, não se encontra uma família haitiana que não tenha perdido alguém", lamentou o secretário, que assinalou que o único barulho que se ouvia pela noite vinha das pessoas que cantavam.

    Quanto à segurança, destacou que "a situação estava em ordem".

    "Não tive qualquer problema, apesar de haver praças cheias de gente", assinalou, a respeito das revoltas que começaram.

    Insulza também fez referência à situação vivida antes que chegassem os militares americanos. "Não havia aeroportos e nada funcionava na cidade". O aeroporto recebe agora entre 140 e 150 voos diários.

    Se os países não tivessem reagido enviando ajuda, cada um na medida de suas possibilidades, "a situação seria muito mais grave e o caos se poderia ter se instalado definitivamente".

    O secretário da OEA disse que a reconstrução vai ser uma "tarefa imensa" e considerou que, apesar da fragilidade do Governo haitiano, Préval "tem capacidade de liderança".

    Por sua parte, o embaixador do Haiti na OEA, Duly Brutus, agradeceu a todos os países por suas contribuições e reiterou a chamada para enviar a "maior quantidade de barracas de campanha" antes que chegue a temporada de chuvas, pois "o povo tem medo".

    Reportagem de Elvira Palomo

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