Secretário-geral da OEA é reeleito, mas ouve pedidos de mudança

Céline Aemisegger. Washington, 24 mar (EFE).- Os 33 países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) reelegeram hoje por aclamação o chileno José Miguel Insulza para mais cinco anos de mandato, mas, em sua maioria, pediram mudanças na entidade.

EFE |

A reeleição do chileno, de 66 anos, acabou sendo uma mera formalidade, uma vez que ele era o único candidato e já era sabido que tinha o apoio necessário.

O único país que se absteve de votar foi a Bolívia. A ministra de Transparência Institucional e Luta contra a Corrupção do país, Nardy Suxo Iturry, disse que não votaria, mas que não se opunha à reeleição do chileno, o que equivale a um consenso.

Insulza assegurou nesta segunda-feira o importante voto dos EUA e, poucas horas antes das eleições, o apoio de Equador e Peru.

Canadá, Venezuela e Nicarágua, que até hoje não tinham revelado qual seria sua decisão, também votaram em Insulza. No entanto, antes de expressar apoio, os dois últimos países fizeram questão de tecer críticas à OEA e exigiram mudanças.

O embaixador da Venezuela na organização, Roy Chaderton, disse que apresentou à OEA queixas sobre os "desajustes" institucionais e a prestação de serviços "mil vezes", e que em todas as ocasiões a resposta foi "o silêncio".

O diplomata também advertiu que a OEA tem uma Carta Democrática Interamericana que "já começa a ser posta em dúvida por aspirar, de maneira dissimulada, intervir com maior poder nas democracias dissidentes, ou seja, as que por seu compromisso social e democrático possam afetar privilégios internos e externos".

Por sua vez, o embaixador da Nicarágua perante a OEA, Denis Moncada, também disse que a Carta foi "praticamente cancelada" com os golpes de Estado na Venezuela (2002) e em Honduras (2009), e rejeitou a interferência de forças estrangeiras.

Por isso, pediu a Insulza que cumpra as suas funções sem "se exceder e sem pressões externas que estão interferindo constantemente em assuntos internos".

A Nicarágua considera que mais que reformar a Carta, como propôs Insulza, os países devem "somar vontades" e solidariedade para "defender a soberania, a integridade territorial, a independência e a autodeterminação das nações".

O chileno disse receber o apoio dos países com "muita humildade", mas também com "muita alegria e afeto". Ele reconheceu que às vezes há diferenças entre os Estados-membros e reiterou seu compromisso de melhorar a organização e lutar pela democracia e os direitos humanos.

"Seguiremos lutando para fortalecer a democracia representativa que conseguimos com tanto esforço", afirmou Insulza.

Insulza foi acompanhado pelo chanceler de seu país, Alfredo Moreno, que destacou que o Chile tem "as melhores relações com a Bolívia" e que, na reforma da Carta, será preciso avaliar como compatibilizar as mudanças com os princípios da soberania, a não-intervenção e a autodeterminação.

O secretário-geral da OEA propôs introduzir na Carta mecanismos mais flexíveis e rápidos para prevenir ameaças às democracias e tentar evitar crises como a de Honduras.

Perante a recusa de países como Nicarágua e Venezuela de reformar a Carta, Insulza disse, em entrevista coletiva, que sua proposta se refere aos procedimentos e não aos "princípios estabelecidos", e que o que ele quer é ter "possibilidades maiores de prevenção" e não chegar "fora de tempo" como no caso do golpe de Estado em Honduras.

O golpe de Estado foi um fracasso para OEA e Insulza. O levantamento da suspensão de Honduras será um dos primeiros desafios do chileno, que disse desejar que isso ocorra o mais rápido possível, preferencialmente na próxima Assembleia Geral.

Antes é preciso criar a Comissão da Verdade e solucionar o futuro do ex-presidente Manuel Zelaya.

Insulza também foi criticado por não fazer esforço suficiente para frear a deterioração das democracias em certos países, principalmente na Venezuela e na Nicarágua.

A embaixadora americana Carmen Lomellin apoiou a reforma da Carta e insistiu que a OEA deve ser "revitalizada para poder fazer frente aos desafios do século XXI".

Para isso, tanto Insulza como o secretário-geral adjunto, o surinamês Albert Ramdin, que também foi reeleito hoje, "têm que estar preparados", disse. EFE cai/pb/rr

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