Secretário da OEA chega ao Haiti para discutir impasse eleitoral

Visita de Insulza ocorre após chegada de ex-presidente 'Baby Doc', que não mudou planejamento de segurança do Brasil no país

Vicente Seda, de Porto Príncipe, Haiti |

O Exército brasileiro no Haiti, que lidera a Missão de Estabilização das Nações Unidas no país (Minustah, na sigla em francês), não tomou nenhuma providência de segurança adicional com o retorno inesperado do ex-presidente Jean Claude Duvalier, de 59 anos, conhecido como 'Baby Doc', após 25 anos de exílio na França. Ele havia deixado o país após ser deposto por uma revolta popular, em 1986.

Segundo o comandante do 1º Batalhão Brasileiro (Brabatt 1), coronel Ronaldo Lundgren, a única mudança de planejamento desta segunda-feira foi o deslocamente de 150 homens para a chegada do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza. O secretário tem previstos encontros com autoridades locais para discutir o impasse político em que está o Haiti desde o primeiro turno da eleição presidencial, em 28 de novembro.

Questionado sobre qual pode ser a reação da população do Haiti ao retorno do ex-presidente, que é acusado de violações sistemáticas durante o período em que esteve no poder (1971 e 1986), o comandante brasileiro afirmou que Duvalier retornou com passaporte haitiano emitido pelo primeiro-ministro Jean Max Bellerive.

"Não sabemos ainda como essa chegada vai impactar, mas obviamente muda alguma coisa. Não sabemos se ele tem a mesma influência, ou a mesma rejeição", disse o coronel Lundgren ao iG .

Tensão política

A chegada de Duvalier, que é acusado de corrupção, repressão e abuso de direitos humanos durante seu regime, ocorre em meio a uma crise política causada pela indefinição eleitoral. Na sexta-feira, a OEA entregou ao governo do presidente René Préval um relatório indicando que houve manipulação da apuração no primeiro turno.

O documento, entregue pelo chefe da Missão de Observação Eleitoral da OEA e da Comunidade do Caribe (Caricom), Colin Granderson, e pelo diretor do Departamento de Observação e Cooperação Eleitoral (Deco) da OEA, Pablo Gutiérrez, recomenda que o candidato governista Jude Célestin, que ficou em segundo lugar de acordo com a apuração oficial, retire-se da disputa em benefício do cantor Michel Martelly.

Se as recomendações da OEA forem aceitas, a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, vencedora do primeiro turno, disputará o segundo turno com Martelly, um cantor muito popular no país.

O relatório, cuja entrega inicialmente estava prevista para 9 de janeiro, ainda não foi publicado oficialmente. A imprensa, porém, recebeu uma minuta em que constam as recomendações preliminares da missão de especialistas.

O objetivo da viagem do secretário-geral da OEA ao Haiti é justamente discutir com o presidente e o premiê haitianos, assim como com Granderson e as autoridades do Conselho Eleitoral Provisório do país as conclusões e recomendações do relatório.

Com BBC, AFP e EFE

*Repórter viajou a convite do Exército brasileiro no Haiti

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