Mercedes Bermejo. Rio de Janeiro, 19 mai (EFE).- O Rio de Janeiro impulsiona novas estratégias turísticas alternativas ao Carnaval e encara o problema da falta de segurança sem escondê-lo debaixo do tapete, ao mesmo tempo em que tenta empreender uma autêntica luta contra o tráfico.

Consciente de que o turismo é um importante motor econômico para a cidade e a criação de emprego, o secretário de Turismo do Rio, Antonio Pedro Figueira de Mello, reconheceu hoje em entrevista à Agência Efe que a falta de segurança é um problema para o Brasil e para a cidade, que "já está sendo enfrentado".

Segundo ele, o "combate da violência se tornou prioridade" em um país com 189 milhões de habitantes.

O Governo federal, o estadual o municipal trabalham conjuntamente "para lutar contra o tráfico de drogas e não estamos escondendo o pó debaixo do tapete", disse Figueira de Mello.

A violência que atinge o Rio de Janeiro custou em 2008 a vida de 7.089 pessoas, uma média de 19 mortes por dia. De acordo com números do Governo estadual, no entanto, o número é o melhor desde 1991.

Segundo esses dados, outras 235 pessoas morreram em tentativas de assalto.

O secretário de Turismo, que ressaltou a queda no número de homicídios nos últimos meses, destacou a criação de um "corredor de segurança" para turistas com a instalação de câmeras nos enclaves mais simbólicos da cidade, como o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e as praias de Ipanema e Copacabana.

Figueira de Mello destacou que "a permissividade com o tráfico de drogas que houve anteriormente terminou" e, em relação à pobreza, que atinge entre 17% e 24% da população brasileira, disse que não se pode negá-la, mas que ela não significa exatamente violência.

Com essa nova imagem, a cidade, cujas autoridades dizem que o número de turistas não caiu apesar da crise econômica, oferece novas alternativas aos viajantes, além do carnaval, um dos maiores espetáculos do mundo.

Foi programada para o próximo 7 de junho uma série de eventos que, da mesma forma que acontece em Paris ou Madri, levará às ruas apresentações de teatro, circo e música com a participação de figuras como Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Também para esse mês está prevista a Semana da Moda, evento que se une às propostas que chegam do boêmio bairro de Santa Teresa. Um dos projetos que mais esperança desperta é a reabilitação do porto da cidade, incluído dentro das melhorias para os Jogos Olímpicos de 2016, caso o Rio conquiste o direito de sediá-los.

O secretário de Turismo considera a candidatura "uma proposta de um país em desenvolvimento que procura alternativas sustentáveis, boas para a cidade e com grande repercussão social".

Consciente de que hoje o Rio de Janeiro não está preparado em infraestrutura, o secretário viajará no próximo domingo a Alemanha e França para apresentar as ofertas de uma cidade que já se prepara perante um desafio, a realização em 2014 da Copa do Mundo. EFE me/rr

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