Second Life relega sexo a continente afastado

Paula Gil. San Francisco (EUA), 24 abr (EFE).- Para as centenas de milhares de habitantes do Second Life, o que definia o universo virtual era a frase vale tudo, mas, a partir de agora, a permisividade total estará limitada a um continente afastado do resto deste popular mundo alternativo.

EFE |

O Second Life, um ambiente virtual e 3D que é praticamente uma economia paralela, se tornou na menina dos olhos do Vale do Silício há alguns anos, mas a popularidade desse mundo agora foi ofuscada por redes sociais como o Facebook ou fenômenos como o Twitter.

Linden Lab, o criador do programa, afirmou hoje que transferirá todas as atividades de "conteúdo adulto" a um continente exclusivo, algo assim como um "bairro vermelho" dentro do mundo virtual.

Os usuários que tiverem comprado propriedades particulares dentro do Second Life poderão continuar fazendo nelas o que quiserem, mas terão que informar ao resto da comunidade sobre isso.

Quem não tiver propriedade particular será convidado a transferir as "atividades adultas" ao novo continente, disseram fontes do Linden Lab, que acrescentaram que as mudanças começarão a ser aplicadas em junho.

Os habitantes do mundo virtual também terão mais opções para bloquear conteúdos considerados para adultos nas buscas feitas no Second Life, ou obter só resultados relacionados a estes conteúdos se desejarem isso.

Embora o programa sempre tenha sido para maiores de 18 anos, o Linden Lab também será mais rígido com os procedimentos de verificação para garantir que todo aquele que faz um novo avatar é maior de idade.

"As preferências e padrões comunitários variam extremamente em cada indústria, país ou cultura", disse Mark Kingdom, executivo-chefe de Linden Lab, em comunicado. "Nosso objetivo é manter toda a liberdade que for possível enquanto seguimos impulsionando nossa plataforma".

A medida, sem dúvida, agradará empresas e organizações que usam o Second Life como plataforma de marketing e que não querem ser associadas a atividades mais picantes.

A possibilidade de sexo virtual é uma das principais reivindicações de muitos usuários do Second Life, uma rede social que permite ter uma vida paralela através da criação de um avatar com a aparência com a qual o internauta sempre sonhou.

A companhia precisa ter cuidado para não alienar boa parte dos clientes com medidas puritanas demais e, ao mesmo tempo, conciliar essa necessidade com a proposta de atrair mais usuários do mundo corporativo.

Cyn Skyberg, vice-presidente de relações com o cliente do Linden Lab, admitiu que as mudanças serão bem recebidos por empresas e educadores, "porque permitirão ter mais controle sobre as coisas que experimentam".

Há dois ou três anos, o Second Life era manchete dos veículos de comunicação a quase toda semana, e muitas empresas decidiram usar o mundo virtual como plataforma de marketing, abrindo delegações ou filiais nesse ambiente ou organizando atividades aos habitantes locais.

No entanto, o Second Life recebeu muito menos atenção nos últimos tempos, e, recentemente, só se fala em Facebook e Twitter e do grande crescimento em número de usuários registrado pelas duas plataformas.

O Facebook já é uma pequena nação com 200 milhões de membros, e o Twitter alcançou dez milhões.

Em comparação, o Second Life tem 800 mil "residentes" calculados.

Após a euforia inicial, muitas empresas que antes queriam ter a todo custo uma presença no mundo virtual abandonaram discretamente o local nos últimos anos para se concentrar no universo real.

Alguns veículos de comunicação, como a agência de notícias "Reuters", chegaram inclusive a ter um correspondente no Second Life, mas esta pessoa foi relegada a outras tarefas menos virtuais.

EFE pg/db

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