Seca na Amazônia prejudica absorção de carbono, conclui estudo

(Embargada até as 16h de Brasília) Washington, 5 mar (EFE).- A demora no crescimento da floresta amazônica durante uma seca pode reduzir sua capacidade de absorver carbono da atmosfera, afirma uma pesquisa elaborada por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas, de Manaus, entre outros, e publicada hoje pela revista Science.

EFE |

O estudo foi elaborado por dezenas de cientistas, entre eles Ieda Amaral e Atila Cristina Alves de Oliveira, do Instituto Nacional de Pesquisas; Abel Monteagudo, do Jardim Botânico de Misuri en Pasco (Peru); e Gerardo Aymard, da Universidad Nacional Experimental de los Llanos (Venezuela).

"A selva amazônica é um componente essencial, mas pouco compreendido do ciclo global do carbono", assinala o artigo. "Se -como se adverte- secar neste século, isso pode acelerar a mudança (climática) por perda de carbono e modificações na energia de superfície".

As selvas da Amazônia, segundo o autor principal do artigo, Oliver L. Phillips, da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e seus colaboradores, "armazenam 120 petagramas (120 bilhões de toneladas) de carbono em sua biomassa".

A cada ano, segundo os pesquisadores, 18 bilhões de toneladas de carbono são absorvidas da atmosfera nas fotossínteses e liberadas na atmosfera pela respiração.

O estudo, do qual também participaram cientistas de Bolívia, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Holanda, França e Alemanha, enfatizou a capacidade destas florestas úmidas para frear a concentração de dióxido de carbono e a mudança climática.

Para esta pesquisa os cientistas empregaram registros de diversos lotes de observação em toda a Amazônia a fim de avaliar as respostas da floresta à intensa seca de 2005, que descreveram como "uma possível analogia de eventos futuros".

Os pesquisadores analisaram as mudanças na biomassa de árvores e descobriram que a taxa de crescimento florestal diminuiu significativamente durante a seca, que matou, de maneira seletiva, as árvores de crescimento rápido com baixa densidade de madeira.

Repetido em grande escala, este efeito pode afetar a capacidade da floresta de se regenerar, apontaram. EFE jab/jp

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