Seca leva Índia a importar alimentos

O governo da Índia anunciou nesta sexta-feira que será obrigado a importar comida para combater os efeitos da grave seca no país. O ministro indiano das Finanças, Pranab Mukherjee, afirmou que qualquer alimento que esteja em falta vai ser importado.

BBC Brasil |

Os preços dos alimentos subiram 10% depois que as fracas chuvas de monções prejudicaram as últimas colheitas de soja, arroz, cana-de-açúcar e algodão.

Essas chuvas são consideradas fundamentais para a agricultura na Índia.

Segundo estimativas, a seca estaria afetando 700 milhões de indianos.

Lentilhas e óleo
Mukherjee não revelou que alimentos já estariam sendo importados, mas especula-se que lentilhas, óleos comestíveis e outros artigos estejam na lista.

Analistas dizem que o governo indiano se preocupa com o impacto das suas importações sobre os preços internacionais de alimentos.

O ministro da Agricultura, Sharad Pawar, afirmou que o governo vai tomar as providências necessárias para garantir que os preços se mantenham estáveis.

"A situação é terrível, não só para a saúde do plantio e a colheita, mas para garantir a saúde dos animais, a água potável, o ganhã-pão e a comida, principalmente para os pequenos produtores e trabalhadores sem-terra", disse Pawar.

Calcula-se que cerca de 70% dos indianos dependam da agricultura para sobreviver.

''Novos miseráveis''
A situação é ainda mais grave para os que vivem na miséria. De acordo com um relatório recente, divulgado por uma comissão do governo indiano, pelo menos 38% dos indianos vivem em condições de pobreza extrema.

Para fazer o cálculo, que ainda precisa ser oficialmente reconhecido pelo governo, a comissão avaliou indicadores de educação, saúde e saneamento básico. A última estimativa é quase dez pontos percentuais superior à anterior, de 27,5%.

Se a nova estimativa for aceita pelo governo, as autoridades vão ter que gastar cerca de US$ 1,9 bilhão para garantir a segurança alimentar dessa "nova" massa de miseráveis.

De acordo com os novos cálculos, mais 110 milhões de pessoas estão abaixo da linha de pobreza, em um total de 297 milhões.

Desde 1972, a linha da pobreza foi fixada como o poder de comprar de alimentos equivalentes a 2,1 mil calorias diárias em áreas urbanas, e 2,4 mil calorias em áreas rurais.

Nos últimos quatro anos, o governo indiano gastou US$ 31,1 bilhões em programas de redução de pobreza.

As estatísticas e os métodos de cálculo de pobreza na Índia são cercados de polêmica.

Ainda neste ano, o ministério do Desenvolvimento Rural divulgou um documento afirmando que pelo menos metade da população indiana vive na pobreza.

Em 2007, um outro relatório estimou que 77% da população era pobre. O governo indiano não aceitou nenhuma das duas estimativas.

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