O Brasil pode ter que racionar gás caso o corte de 10% no envio do produto da Bolívia se concretize, dizem especialistas.

De acordo com o governo boliviano, uma explosão que causou danos em parte de um gasoduto boliviano que leva gás natural ao mercado brasileiro vai diminuir o fornecimento em cerca de 3 milhões de metros cúbicos de gás.

Segundo Antônio Celso Arruda, professor do Departamento de Engenharia de Petróleo da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, o Brasil não tem como substituir esse volume de gás de maneira rápida.

"Em um primeiro momento a solução seria o racionamento. Importar gás de outro país seria muito caro e não seria vantajoso", acredita o professor.

Uma alternativa para o país seria a importação do gás liquefeito. O problema, porém, é que essa alternativa não poderia ser usada para suprir um volume tão grande como o que o governo boliviano diz que será cortado.

Uma das opções que estão sendo debatidas, mas que ainda não foi operacionalizada, é a importação do Gás Natural Liquefeito, o GNL, que é feita por meio de navios, diz o professor Célio Bermann, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo.

A maior dificuldade é que o Brasil não possui um parque de gaseificação capaz de fazer com que grandes quantidades de GNL possam ser transformadas em gás novamente para que o produto seja utilizado, explica Bermann.

Caso um cenário de racionamento se concretize, dizem os especialistas, existiriam alguma possibilidade sobre a lista de atingidos.

Na opinião de Antônio Celso Arruda, o primeiro setor da economia que deveria sentir o impacto é o de carros que usam o gás natural. Como esse setor utiliza outro combustível, está mais passível de racionamento do que a indústria ou o consumidor doméstico, por exemplo.

Para Bermann, além dos carros, outros setores que poderiam eventualmente sofrer o impacto seriam as usinas termoelétricas e as indústrias.

Eles acreditam que o consumo doméstico só poderia sofrer algum tipo de problema em um cenário de grande racionamento do produto, o que, pelos dados disponíveis, parece improvável.

Segundo Arruda, mesmo um eventual racionamento não deve afetar o custo do gás, pelo menos no curto prazo.

Nesses casos (de racionamento por curto prazo), normalmente o governo arca com o prejuízo, diminuindo o lucro da Petrobras no primeiro momento.

O governo boliviano afirmou que levará em torno de 20 dias para reparar os estragos feitos no gasoduto afetado nesta quarta-feira.

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