Scotland Yard inclui outras empresas em inquérito sobre grampos

Segundo a BBC, polícia recupera investigação de 2006 sobre uso de detetives particulares inclui 300 jornalistas de 31 publicações

iG São Paulo |

A Scotland Yard (polícia metropolitana de Londres) ampliou a investigação sobre o escândalo de escutas ilegais a outras empresas além da News International, dona do extinto tabloide News of the World , de acordo com a emissora britânica BBC.

Segundo a emissora, a Scotland Yard pediu há três meses as conclusões de uma investigação de 2006 sobre o uso de detetives particulares pela imprensa. O relatório, feito pelo Gabinete do Comissário de Informação, afirma que houve 300 jornalistas de 31 publicações fizeram 4 mil pedidos de informações confidenciais a partir de investigadores particulares. Em muitos casos, as informações foram obtidas irregularmente.

A BBC afirma que o maior número de pedidos veio do Daily Mail (publicado pela General Trust), seguido pelo Sunday People e o Daily Mirror (ambos da Trinity Mirror). O Daily Mail afirmou que todas as informações foram obtidas por motivo de interesse público, enquanto a Scotland Yard não quis comentar o caso.

AP
Foto de arquivo mostra ex-repórter do News of the World, Sean Hoare, que foi encontrado morto no Reino Unido
Também nesta quinta-feira, o jornal The Guardian afirmou que a Scotland Yard deve abrir uma investigação sobre as denúncias de que o News of the World rastreou sinais de telefone celular.

O rastreamento de um sinal de celular permite determinar a localização de quem possui o aparelho. De acordo com o Guardian, a Scotland Yard recebeu um pedido da Autoridade Policial Metropolitana (MPA, na sigla em inglês) para determinar se funcionários do tabloide compraram essas informações de policiais.

A denúncia foi feita por Sean Hoare, ex-repórter do News of the World, dias antes de ele ter sido encontrado morto em sua casa, na segunda-feira. A polícia descartou a hipótese de assassinato .

Em entrevista ao The New York Times publicana na semana passada, Hoare afirmou que o tabloide pagava 300 libras (cerca de R$ 758) por cada pedido de rastreamento. Segundo o The New York Times, outra fonte teria confirmado o esquema.

O pedido de investigação foi feito por Jenny Jones, que é integrante do Partido Verde. Ela pediu que a Scotland Yard revise todos os casos em que a polícia obteve informações de rastreamento a partir de companhias telefônicas. De acordo com o Guardian, seriam cerca de 70 mil casos só no último ano.

Na quarta-feira a Scotland Yard ampliou sua equipe que investiga o escândalo de escutas ilegais, que passará a contar com 60 oficiais em vez de 45. Segundo a BBC, a vice-comissária assistente da polícia londrina, Sue Akers, explicou que a mudança é feito depois de um “aumento significante do volume de trabalho” na última quinzena.

Olimpíada de 2012

Nesta quinta-feira, a empresa Visa indicou que deve suspender um importante acordo firmado com a News International,  braço britânico da News Corporation de Rupert Murdoch. Os jornais do grupo (The Sun, The Times e The Sunday Times) devem perder a exclusividade de cobertura da Olimpíada de Londres em 2012.

O acordo garantia às publicações acesso exclusivo aos atletas olímpicos britânicos e dava a elas o direito de usar o slogan "jornais oficiais da equipe 2012". Mas o projeto Equipe 2012, financiado pela Visa, já busca novos parceiros na imprensa após o escândalo das escutas ilegais.

"Como resultado do fechamento do News of the World , o contrato original não pode ser cumprido como firmado inicialmente", justificou a empresa.

Nick Clegg

A quinta-feira também marca o primeiro dia de recesso de verão do Parlamento britânico, após uma semana movimentada. Na terça-feira, parlamentares ouviram depoimentos de Murdoch e seu filho , James, da ex-editora-executiva do News of the World Rebekah Brooks e de autoridades policiais .

Na quarta-feira, o primeiro-ministro David Cameron fez um pronunciamento no Parlamento no qual defendeu a atuação de seu governo no caso e disse ter se arrependido de contratar o ex-editor do tabloide Andy Coulson como seu porta-voz.

Nesta quinta-feira, o vice-premiê Nick Clegg demonstrou apoio a Cameron, dizendo que ele foi "transparente" e que não teve envolvimento na tentativa de Murdoch de comprar a operadora de TV a cabo britânica BSBky.

Clegg também afirmou que o escândalo dá ao país a chance de acabar com as relações impróprias entre políticos, jornalistas e policiais. "Temos uma oportunidade de realmente limpar as práticas e relacionamentos impróprios que estão enraizadas na Grã-Bretanha", disse.

O News of the World, que deixou de circular no dia 10, teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas. Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.

Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas do "News of the World" também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

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