Scotland Yard de novo na berlinda por morte de manifestante anti-G20

LONDRES - A Scotland Yard voltou ao banco dos réus nesta quarta-feira por causa de um vídeo que mostra um policial derrubando violentamente um manifestante, que depois morreu de ataque cardíaco durante os protestos da semana passada contra a reunião do G20 em Londres.

AFP |

O incidente acontece quase quatro anos depois da morte do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, executado em uma estação de metrô da capital londrina por agentes da Scotland Yard ao ser confundido com um terrorista.

Nenhum policial foi processado pela morte do brasileiro. A Scotland Yard foi considerada culpada de infringir as leis de saúde e segurança pública e condenada a pagar uma multa de 175 mil libras (US$ 350 mil).

Uma comissão independente encarregada de averiguar as queixas contra a polícia, a IPCC (Independent Police Complaints Comission), está trabalhando agora para esclarecer a morte de Iam Tomlinson, de 47 anos, que em 1º de abril passado morreu de ataque cardíaco quando voltava do trabalho e se encontrava em meio aos protestos da cúpula de países industrializados e países emergentes (G20).


Britânico é empurrado pela polícia e minutos depois sofre um ataque cardíaco

O vídeo, divulgado pelo jornal The Guardian , mostra Tomlinson caminhando despreocupadamente, com as mãos o bolso, e seguida de perto por policias e seus cachorros, fora dos cordões de isolamento estabelecidos pelas forças de segurança em torno dos manifestantes.

Os policiais parecem forçá-lo a apressar o passo antes de um deles empurrá-lo violentamente pelas costas, fazendo-o cair ao chão. Tomlinson permanece um momento sentado, parece xingar os policiais, e se levanta com a ajuda de outros transeuntes. Pouco depois, morre por uma parada cardíaca.

As imagens, registradas, segundo o Guardian, por um manifestante nova-iorquino, levaram a família de Tomlinson a reclamar uma investigação penal.

Paul Stephenson, o chefe da Scotland Yard, reconheceu que o vídeo era "preocupante" e prometeu uma investigação a fundo sobre o ocorrido. "As imagens difundidas são claramente preocupantes e é absolutamente justificado e apropriado que se investigue o caso", afirmou Stephenson em um breve comunicado.

A ministra britânica do Interior, Jacqui Smith, expressou seu desejo de que sejam dadas respostas o mais rápido possível.

"É repugnante"

Segundo um porta-voz do opositor partido Liberal-Democrata, David Howarth, "o vídeo mostra claramente um ataque não provocado por parte de um policial contra um transeunte. É repugnante".

"Deve acontecer uma investigação criminal a fundo. O oficial envolvido e outros agentes que aparecem no vídeo devem ser imediatamente afastado das funções", completou Howarth.

A IPCC informou que analisará o vídeo como parte das investigações do ocorrido. "Vamos avaliar isto com outros depoimentos e fotografias que já foram apresentadas", declarou um porta-voz da comissão.

O Guardian destaca que o policial também aparece no vídeo agredindo pelas costas Tomlinson com um cassetete, mas a imagem não aparece com clareza nas imagens divulgadas.

A polícia informou ainda que foi alertada por uma pessoa de que Tomlinson havia caído e não respirava e que vários manifestantes jogaram garrafas nos oficiais, enquanto estes tentavam reanimar a vítima.

Tomlinson foi declarado morto minutos depois em um hospital. A família pediu que quem tenha visto como ele morreu apresente informações a respeito.

O filho de Tomlinson disse que o vídeo dá margem a muitas perguntas sobre a morte do pai. "Queremos respostas", afirmou Paul King, 26 anos.

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