Cannes (França), 15 mai (EFE).- Após a presença de Francis Ford Coppola nesta quinta-feira no Festival de Cannes, outro dos mestres do cinema americano moderno, Martin Scorsese, apresentou hoje na seção de clássicos a versão restaurada de seu filme favorito: Sapatinhos Vermelhos (1948), de Powell e Pressburger.

Ele não quis falar de si próprio, nem de seu anunciado filme sobre Frank Sinatra, nem do aparelho publicitário por trás de sua próxima estreia, "Paciente 67".

Scorsese estava em Cannes para chamar a atenção para esses filmes que, como impulsor da World Cinema Foundation, restaura e recupera esses longas.

"São filmes que nos deram tanto que devíamos algo a eles", disse na entrevista coletiva concedida no Palácio dos Festivais de Cannes.

Um Scorsese de seis anos viu pela primeira vez "na televisão, com pausas para publicidade e em preto-e-branco", o musical "Sapatinhos Vermelhos", o mesmo que poderá ver hoje, com as coreografias e a expressiva atuação, nas telas do auditório Grand Lumière, da cidade francesa.

"Estes filmes tiveram grande influência em nós, em nossa maneira de filmar e de narrar. Por isso, é importante recuperá-los em bom estado, porque ajudam a saber quem somos", explicou.

Assim, a contribuição da World Cinema Foundation ao Cannes Classics se completa com "A brighter summer day" (Edward Yang, Taiwan, 1991), "Al-momia" (Shadi Abdel Salam, Egito, 1969) e a mexicana "Redes", de Emilio Gómez Muriel e Fred Zinnemann (1936).

No Cannes Classics também estarão presentes projetos com grandes nomes, mas ainda inéditos.

"Inferno" (1964), de Henri-Georges Clouzot, cujas gravações foram interrompidas e não pôde ser concluído, sofreu uma investigação que permitiu recuperar cenas e recompor uma obra que estava desaparecida em circunstâncias que fizeram o filme entrar na categoria de lenda.

Também haverá "imagens familiares" rodadas por Ingmar Bergman por alguns de seus filmes em "Jeux de tournage", de Stig Björkman, que leva a Cannes a Fundação Bergman.

"Sedução da carne", de Luchino Visconti, ou "As Férias do Sr.

Hulot" (1953), de Jacques Tati, também figuram na relação de obras passadas, recuperadas ou restauradas.

"O Demônio das Onze Horas" (1965), de Jean-Luc Godard; "Os Olhos sem Rosto" (1960) de Georges Franju; e "A Aventura (1960), filme de Michelangelo Antonioni, também formam esta seleção. EFE msc/db

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