Scheffer: Nenhum país de fora da Otan poderá impedir ingresso da Geórgia

Tbilisi, 16 set (EFE).- O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, afirmou hoje que nenhum país que não seja da Aliança Atlântica pode impedir o acesso da Geórgia ao grupo, em clara alusão à Rússia.

EFE |

"As autoridades e o povo da Geórgia escolheram o rumo do ingresso de seu país na Otan e, conseqüentemente, tomam todas as medidas nesta direção", declarou Scheffer em entrevista coletiva conjunta com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili.

Scheffer, que chegou na última segunda a Tbilisi para criar uma comissão Otan-Geórgia para contribuir no reforço da segurança georgiana, acrescentou que "nenhum país que não seja membro da Otan poderá impedir o ingresso da Geórgia na Aliança".

Às vésperas da visita, o presidente russo, Dmitri Medvedev, disse que o ingresso georgiano na Otan será "intolerável" para a Rússia, que interpretaria esta passagem como um "prêmio" para o país que lançou a agressão contra a Ossétia do Sul.

Por sua vez, Scheffer defendeu a integridade territorial da Geórgia, instou Moscou a revogar seu reconhecimento das independências das separatistas Abkházia e Ossétia do Sul e afirmou que "nenhum país tem o direito de mudar as fronteiras".

Também disse que os ministros de Relações Exteriores da Otan são os que têm a última palavra e decidirão na cúpula de dezembro próximo se convidarão a Geórgia para o Plano de Ação para a Adesão (MAP, na sigla em inglês), considerada a ante-sala para o ingresso.

Por outro lado, o líder da Otan elogiou os "sucessos" obtidos por Tbilisi nos últimos anos no caminho da integração e, em particular, o fato de que durante o conflito com a Rússia em agosto prosseguiram as reformas indispensáveis para o acesso.

"A Geórgia deve prosseguir as reformas na esfera judicial, eleitoral e outros terrenos para cumprir com todos os requisitos", declarou.

Scheffer disse que a Otan não podia enviar suas tropas para a Geórgia durante a guerra com a Rússia, já que este país "não é membro da Aliança", por isto não pôde aplicar o princípio vigente desde 1949 de "solidariedade" em caso de agressão a um dos aliados.

Em todo caso, afirmou que a Aliança ajudará a Geórgia a "superar a crise humanitária, reconstruir a infra-estrutura civil e desativou minas de várias regiões do país".

Além disso, apoiou o envio de observadores da União Européia (UE) para a área de segurança entre as regiões separatistas e o resto do território georgiano e defendeu uma investigação independente sobre as origens do conflito.

Scheffer acusa Moscou de descumprir o acordo da UE de solução do conflito assinado por Rússia e UE, que estipula que as tropas russas e georgianas devem se retirar para as posições que ocupavam até a explosão do conflito (8 de agosto). EFE mv/fal

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