Scanner em aeroportos será um problema para judeu praticante

Ana Cárdenes. Jerusalém, 13 jan (EFE).- Os scanners corporais que inúmeros países europeus estudam instalar nos aeroportos podem criar um sério problema para os judeus praticantes, que seguem as leis da tzniut (modéstia) e por isso não podem mostrar seus corpos.

EFE |

As autoridades rabínicas de Israel não emitiram ainda uma determinação definitiva sobre os scanners, mas o Centro Rabínico da Europa já alertou que a medida viola os direitos das mulheres judias ao "comprometer" o recato que devem observar.

Segundo explicou à Agência Efe em Jerusalém o rabino Ken Spiro, "tudo depende da nitidez da imagem oferecida pelos scanners e de quem estiver olhando".

"Para as mulheres judias, todas elas e não só as ultra-ortodoxas, é importante proteger seu pudor", indicou este rabino.

Em geral, as leis de modéstia proíbem a exibição do corpo "acima dos joelhos, nem acima do ombro, nem abaixo da linha do pescoço. E, no caso das mulheres casadas, o cabelo também não deve ficar à mostra".

Conforme Spiro, próximo às correntes ultra-ortodoxas, se a imagem do scanner for muito detalhada "parte das judias poderiam preferir ser revistadas em local reservado e, inclusive, poderiam evitar esses aeroportos".

O debate ainda está aberto e os fiéis deverão esperar uma orientação oficial das autoridades rabínicas.

"Se o Rabinato proibir, as mulheres religiosas não poderão se submeter aos scanners", adverte o rabino, que acrescenta que "o problema será menor se for garantido uma agente de segurança para as mulheres e um agente para os homens".

Além disso, para muitas mulheres judias poderia resultar enormemente ofensivo saber que alguém está observando a imagem nítida de seu corpo, porque as leis da tzeniut que aparecem detalhas na Torá (Levítico 18:9-17) proíbem "descobrir a nudez", ato que define como "maldade".

Nos vestiários de centros esportivos em Israel é comum que as religiosas prefiram trocar-se nos quartos fechados, evitando se expor ao olhar de outras mulheres.

As mais recatadas entram na sauna vestidas da cabeça aos pés e algumas piscinas e instalações esportivas e de lazer têm horários diferentes para homens e mulheres.

Holanda decidiu empregar em todos seus voos aos Estados Unidos os scanners corporais após o atentado frustrado do Natal em um voo de Amsterdã a Detroit.

O Reino Unido estuda instalá-los no aeroporto de Heathrow, em Londres, e a Alemanha decidiu utilizá-lo a partir do próximo verão e a Espanha anunciou que incluirá a questão na ordem do dia da próxima reunião de ministros europeus de Justiça e Interior.

Organizações de usuários e defensores dos direitos humanos têm criticado os scanners, que consideram um atentado contra a intimidade dos passageiros ao gerar imagens nítidas do corpo humano em três dimensões, próximas ao nu e que permitem ver detalhes como implantes, próteses e o formato dos genitais.

O rabino David Levin Kross, do Instituto Pardes de Estudos Judeus (dedicado ao estudo de textos clássicos do judaísmo), disse à agência Efe, que "não há dúvida que o corpo de uma mulher não deve ser visto, nem mesmo o dos homens".

Mas ressaltou que se os equipamentos não representariam um problema se uma pessoa do mesmo sexo estivesse do outro lado do scanner.

Para o rabino da corrente conservadora Yehiel Greniman, "embora o respeito ao corpo da mulher seja um dos valores do judaísmo, o outro valor essencial é o da vida".

De acordo com ele, "no judaísmo é permitido tirar a roupa diante de um médico, porque o valor da vida predomina sobre o recato e, se for entendido que os scanners servem para salvar vidas, também poderiam aceitar unicamente que só as agentes mulheres estariam por trás dos scanners das mulheres judias".

O rabino Spiro, da mesma forma que outros religiosos e fiéis da comunidade judaica israelense, prevê que "é possível que não haja uma decisão uniforme dos líderes espirituais das distintas tendências com relação aos scanners", já que a observância das leis de modéstia também variam de uma vertente para outra.

Em geral, a tzniut insiste em esconder o exterior para ressaltar o interior e exige, tanto de homens quando de mulheres, não vestir roupas justas, curtas, transparentes e chamativas, ter um comportamento pudico em público e não permitir que ninguém fora seu cônjuge veja seu corpo nu. EFE aca/dm

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