Sauditas trabalham como domésticas pela 1ª vez no país

O primeiro grupo de mulheres sauditas que recebeu permissão do governo para trabalhar como empregadas domésticas começou a exercer a profissão. Até agora, a atividade, considerada degradante, era exercida apenas por estrangeiras - e a decisão de dois anos atrás de permitir que sauditas pudessem exercê-la causou muita controvérsia no país.

BBC Brasil |

O crescente desemprego entre as sauditas foi um dos motivos apontados para justificar a decisão do governo.

De acordo com o jornal saudita Al-Madina, o primeiro grupo de cerca de 30 mulheres começou a trabalhar na cidade de Jedá.

Melhores condições
O jornal afirma que as condições de trabalho das cidadãs sauditas serão melhores do que as das domésticas estrangeiras. Todas elas teriam sido contratadas para trabalhar oito horas por dia por um salário de US$ 400.

Um gerente da empresa responsável por agenciar as domésticas disse ao jornal que as mulheres foram selecionadas depois de uma série de entrevistas e treinamento intensivo.

Hana Uthman disse que outras cem mulheres aguardam entrevistas para trabalhar e que os empregadores assinaram documentos se comprometendo a tratar os empregados de acordo com a lei.

No ano passado, o grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch classificou a profissão de empregada doméstica na Arábia Saudita como uma espécie de escravidão.

"Elas (as domésticas) tem que entregar seus passaportes ao empregador, trabalham até 20h por dia, podem sofrer abuso sexual e frequentemente não recebem salário", diz o analista da BBC para assuntos árabes Sebastian Usher.

Segundo ele, "cerca de dois milhões de mulheres anualmente, a maioria delas asiáticas, aceitam o risco para tentar uma vida melhor".

"Se elas querem ir embora não podem porque estão sem seus passaportes. Milhares buscam refúgios anualmente em embaixadas", diz ele.

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