Os militares americanos e suas famílias precisam de mais apoio para enfrentar problemas de saúde mental, que continuam sendo um tabu, denunciou nesta quarta-feira a Associação Psiquiátrica Americana (APA).

"O desafio que temos que encarar para incentivar nossos militares a procurarem ajuda consiste justamente em superar a vergonha que eles têm de pedir ajuda", resumiu durante uma entrevista coletiva em Washington Carolyn Robinowitz, presidente da APA.

A saúde mental dos militares e de suas famílias é este ano o tema central da conferência anual da APA, prevista para o início de maio em Washington.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta quarta-feira pela APA, 61% dos militares entrevistados consideram que pedir ajuda para problemas de saúde mental teria um impacto negativo sobre sua carreira, e 53% pensam que ficariam desprestigiados em relação a seus colegas.

"Essa percepção é preocupante", afirmou Robinowitz.

Ainda segundo a pesquisa, realizada em março pelo instituto Harris Interactive com 191 pessoas (militares na ativa ou na reserva enviados a zonas de guerra desde 2001 e cônjuges), 67% dos militares e 54% dos cônjuges não falam nunca ou raramente de sua saúde mental com seus amigos ou sua família.

No entanto, apesar de a grande maioria descrever sua saúde mental como boa ou excelente (71% dos militares e 75% dos cônjuges), muitos militares mencionaram sintomas como perturbações de sono (48%) pelo menos duas vezes por semana.

Um terço dos militares e de seus cônjuges se dizem estressados, e 30% a 40% evocam sentimentos como ansiedade, depressão ou desinteresse por suas atividades cotidianas.

Segundo Richard Harding, neuropsiquatra e presidente da APA, três motivos de ansiedade são mencionados pelos cônjuges: "o fato de saber que o marido ou companheiro está longe e em situação de risco, os problemas do dia-a-dia, e o fato de ser um parente isolado".

Por isso, segundo ele, é importante melhorar o acesso dos militares, mas também de suas famílias, aos serviços de saúde mental.

A pesquisa também mostra que 59% dos militares e 67% dos cônjugues afirmam não dispor de qualquer informação sobre os tratamentos disponíveis.

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