Sátira teatral sobre caso Fritzl gera polêmica na Áustria

Um dramaturgo de Viena causou polêmica no país ao anunciar que vai transformar em sátira teatral o caso de Josef Fritzl, o austríaco acusado de manter a própria filha presa durante 24 anos e ter sete filhos com ela. Chamada Pension Fritzl (Pensão Fritzl), a peça tem autoria e direção de Hubert Kramar e está programada para estrear dia 23 de fevereiro, poucas semanas antes do início do julgamento de Fritzl, agendado para o final de março.

BBC Brasil |

O tom satírico da peça de Kramar gerou polêmica no meio político e um deputado do partido nacionalista FPÖ chegou a reivindicar o fechamento do teatro.

"Com seu espetáculo de mau gosto, Kramar quer impingir ao povo austríaco um grande e indescritível prejuízo no exterior", disse o deputado Gerald Ebinger em comunicado à imprensa.

"Isso é um escândalo inacreditável, que urge por duras conseqüências", afirmou o político.

Acerto de contas
O anúncio de divulgação para a imprensa informa que a comédia apresentará não somente o "senhor Fritzl", como também o "Fritzl filho", a "Fritzl filha" e o "monstro Fritzlstein".

O papel principal, de Fritzl, será interpretado pelo próprio diretor. Ele classifica a peça de uma "novela de porão" e promete, através dela, fazer uma crítica satírica ácida da sociedade austríaca e mostrar "tudo o que você sempre quis saber sobre os Fritzls".

"[A peça] promete um acerto de contas com a sociedade austríaca e um reencontro com os austríacos mais famosos e amados", disse o diretor.

Tudo indica que ele pretende usar circunstâncias reais, como o escandaloso caso de Fritzl, para fazer uma crítica social.

Segundo a porta-voz da produção, Gabriele Mueller-Klomfar, a peça não se destina a "explorar" o caso Fritzl e sim "a criticar uma sociedade onde coisas como essas são possíveis".

Ela afirmou que mais esclarecimentos só serão possíveis quando o diretor retornar de férias.

"Ele está viajando e só dará declarações quando voltar, na próxima semana", disse a porta-voz à BBC Brasil.

Artista performático, Kramar, de 50 anos, é conhecido por suas provocações.

Há oito anos, ele ficou famoso por ser preso ao tentar entrar no tradicional baile da Ópera de Viena fantasiado de Adolf Hitler, num protesto contra a então participação do partido nacionalista FPÖ no governo austríaco.

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