Um satélite comercial americano foi destruído após uma colisão no espaço com um satélite militar russo, um acidente sem precedente que criou duas nuvens de destroços à deriva na atmosfera.

A empresa Iridium, com sede em Bethesda (Maryland, leste dos EUA), anunciou quarta-feira ter "perdido um satélite operacional" após uma colisão, na véspera, com um satélite russo fora de uso, no que é considerado como um dos primeiros acidentes deste tipo no espaço.

"Houve no dia 10 de fevereiro uma colisão a cerca de 800 km de altitude entre um aparelho cósmico Iridium-33 (560 kg) e um aparelho cósmico militar russo Cosmos-2251 (900 kg)", confirmou nesta quinta-feira o comandante das forças espaciais russas, Alexander Yakushin citado pela agência Interfax.

O general Alexander Yakushin destacou que o satélite fora colocado em órbita em 1993, mas que "estava fora de uso" desde 1995.

Este tipo de colisão a centenas de quilômetros da Terra é "extremamente raro" e "muito improvável", ressaltou a Iridium.

A empresa informou que está tomando "todas as providências necessárias para substituir o satélite danificado". Dona de una frota de 66 satélites de telecomunicações, a Iridium garantiu que o acidente não foi causado por um eventual problema em seu aparelho.

A perda do Iridium-33 pode "provocar uma ligeira perturbação" das comunicações, avisou a empresa.

De acordo com a revista Space News, a Agência Espacial Americana (Nasa), notificou a colisão já na terça-feira. O choque aconteceu às 16H55 GMT (14H55 de Brasília) cerca de 790 km acima da Sibéria e provocou duas nuvens de destroços, cuja trajetória está sendo acompanhada com atenção pela Nasa, que teme uma eventual colisão com sua Estação Espacial Internacional (ISS).

No entanto, segundo o jornal Washington Post, que citou um comunicado da própria Nasa, o risco de que a ISS seja danificada por destroços de satélites "é pequeno e está dentro dos limites aceitáveis". A ISS se encontra numa órbita mais baixa (354 km) que a da colisão.

"A ISS tem a capacidade, se for necessário, de manobrar para evitar os destroços, o que já fez oito vezes no passado", garantiu, por sua vez, o porta-voz da Nasa, John Yembrick.

Quase 6.000 satélites foram enviados para o espaço desde que a União Soviética realizou pela primeira vez em 1957 um voo com tripulantes em volta da Terra com o Sputnik 1. Cerca de 3.000 destes aparelhos ainda estão operacionais, segundo a Nasa.

Colisões com destroços em órbita já aconteceram no passado, mas esta é a primeira vez que dois satélites intactos se chocam, informa o Washington Post.

Os especialistas estão cada vez mais preocupados com estes destroços que vêm se acumulando no espaço há mais de cinco décadas.

De acordo com uma organização internacional de segurança espacial, existiriam 300.000 destes destroços de 1 a 10 cm de diâmetro, além de bilhões de fragmentos menores.

Lançados a milhares de quilômetros por hora, estes objetos, mesmo minúsculos, podem danificar gravemente naves espaciais e satélites.

Em 1996, um satélite espião francês foi atingido por um fragmento de foguete a cerca de 50.000 km/h. Em 1983, o parabrisa da nave Challenger teve de ser trocado depois de ter sido danificado por uma minúscula partícula de tinta.

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