O satélite Planck, que deve analisar os vestígios da luz emitida depois do Big Bang, e o observatório Herschel, que vai escrutar o berçário das estrelas e as galáxias longínquas, foram lançados com sucesso nesta quinta-feira por um foguete Ariane 5 em Kourou, na Guiana Francesa.

"A Agência Espacial Europeia (ESA, sigla em inglês) está a caminho das origens do universo", empolgou-se o diretor-geral da Agência, Jean-Jacques Dordain.

Herschel e Planck devem demorar um mês para chegar a seu destino final, a 1,5 milhão de km da Terra, na direção oposta a do Sol, destacou.

Neste ponto, onde se equilibram as forças gravitacionais exercidas pelo Sol e pela Terra, Herschel e Planck girarão em volta do Sol, exatamente na mesma velocidade que a Terra.

Esta posição permitirá a seus instrumentos ultrasensíveis, esfriados a temperaturas próximas do zero absoluto (-273,15 graus Celsius), observar o céu frio e longínquo sem serem afetados pelo calor da Terra.

Com o mesmo objetivo de explorar o universo distante, dois astronautas da nave Atlantis efetuaram nesta quinta-feira sua primeira saída em órbita para modernizar e prolongar a existência do telescópio Hubble.

Dois novos instrumentos devem permitir a este telescópio em órbita baixa a 560 km da Terra voltar até 600 a 500 milhões do Big Bang, ou seja, uma distância bem menor que a que cobrirão Herschel e Planck.

O observatório Herschel, o maior já enviado ao espaço, tentará desvendar os segredos das estrelas nascentes escondidas em um berço de gases e poeiras por meio da captação dos raios infravermelhos, imperceptíveis a olho nu.

"Vamos observar uma luz nunca vista no universo", explicou Gören Pilbratt, responsável pelo projeto Herschel na ESA.

Os três instrumentos (Pacs, Spire, Hifi) a bordo do Herschel utilizarão uma gama ampla de frequências, do infravermelho longínquo ao raio submilimétrico, para detectar corpos celestes frios, nuvens moleculares ou galáxias remotas cujo raio se deslocou para o infravermelho.

O Herschel deve durar no mínimo três anos, durante os quais várias equipes de astrônomos de todo o mundo dividirão entre si o tempo de observação.

A missão do Planck, fruto de uma colaboração entre a ESA e a Nasa, é estudar ínfimas variações do raio fóssil, um rastro agora frio da primeira luz emitida no universo 380.000 anos depois do Big Bang.

Em 15 meses de observação, graças ao instrumento de alta frequência HFI, capaz de registrar variações de temperatura da ordem de um milionésimo de grau, o Planck deverá observar duas vezes a totalidade da abóbada celeste e elaborar um mapa preciso deste raio difuso.

Estes dados reveladores sobre o passado do universo devem permitir conhecer melhor sua geometria, o ritmo de sua expansão, a natureza e a quantidade de matéria negra.

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