Satélites da Nasa revelam enorme redução de camada de gelo do Ártico

Washington, 7 jul (EFE).- A camada de gelo que cobre a região ártica diminuiu de forma considerável entre os invernos de 2004 e 2008 e foi substituída por gelo temporário muito mais fino, segundo as últimas imagens obtidas pelos satélites da Nasa, a agência espacial americana.

EFE |

"Esta é mais uma prova da rápida transformação que está ocorrendo na camada de gelo que cobre o Ártico", diz o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, em inglês) da Nasa em comunicado.

Segundo estudos científicos, essa transformação foi causada pelo aumento das temperaturas atmosféricas no mundo todo e cujos resultados são evidentes também nas geleiras da Groenlândia e da Antártida.

Em um relatório divulgado pela revista "Journal of Geophysical Research: Oceans", cientistas da Nasa e da Universidade de Seattle disseram ter usado dados dos satélites para calcular o volume e a grossura do gelo ártico.

De acordo com essas medições, a camada de gelo diminuiu cerca de 17 centímetros por ano, o que somou um total de 68 centímetros nos quatro invernos.

Por outra parte, a superfície total coberta pelo chamado "gelo eterno" ou que sobreviveu por vários verões caiu 42%.

Geralmente, o gelo formado apenas no inverno chega a uma altura de dois metros. O que sobrevive vários anos tem uma média de três metros.

Segundo os últimos estudos, o gelo do inverno não foi suficiente para compensar a perda natural que ocorre no verão. Essa situação leva a um maior aquecimento dos oceanos e a um conseguinte degelo polar, o que agrava a situação.

De acordo com o comunicado do JPL, entre 2004 e 2008, a cobertura de gelo ártico diminuiu em 1,54 milhão de quilômetros quadrados, uma área equivalente à do estado americano do Alasca.

Segundo Ron Kwok, cientista do JPL, a restituição virtualmente nula do gelo durante vários anos, junto com o desprendimento de grandes volumes após os verões de 2005 e 2007, teve uma grande influência na perda do volume do gelo ártico.

"Nossos dados ajudarão os cientistas a compreender a rapidez com que o volume do gelo ártico está diminuindo e em quanto tempo poderemos ver um verão quase sem gelo", acrescentou. EFE ojl/bba

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