Assunção, 8 mai (EFE).- O presidente do Senado, José Sarney, reiterou hoje sua oposição à entrada da Venezuela no Mercosul por divergências com o presidente Hugo Chávez e por acreditar que isso politizaria o bloco.

Em declarações à emissora de rádio "Ñandutí" de Assunção, Sarney lembrou que foi um dos promotores da chamada cláusula democrática do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A cláusula democrática foi adotada pelo Mercosul em 1998 e estabelece a plena vigência das instituições democráticas como "condição essencial" para que um país participe dos órgãos e do desenvolvimento do processo integrador.

Sem mencionar explicitamente a Venezuela, Sarney disse: "não podemos pensar" em um país "que não é democrático ou que está a caminho da ditadura", porque vai contra esse princípio e porque pode trazer "uma politização do Mercosul e uma desesperança muito grande para nós".

O senador respondia a uma pergunta sobre a plena entrada da Venezuela como membro do Mercosul, aprovada em julho de 2006 pelos Governos dos quatro países-membros.

No entanto, o Protocolo de Adesão venezuelano ainda precisa ser aprovado pelo Senado brasileiro e pelo Parlamento paraguaio.

Por outro lado, Sarney afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "tem uma sensibilidade muito grande" e está disposto a achar uma saída à polêmica mantida por Brasil e Paraguai em relação ao aproveitamento da hidroelétrica de Itaipu.

Lula e o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, adiaram hoje em Brasília a assinatura de vários acordos que tinham previsto firmar esta semana por não terem conseguido encontrar uma solução às diferenças bilaterais.

Será preciso encontrar "uma boa solução para o Paraguai, que não lese os direitos do Brasil", disse Sarney. EFE lb/db

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