Sarkozy viaja ao Afeganistão após morte de soldados franceses em emboscada

(acrescenta a reunião entre Sarkozy e presidente afegão) Paris, 19 ago (EFE).- Decidido a prosseguir na luta contra o terrorismo, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, viaja hoje ao Afeganistão, após a emboscada armada por insurgentes talibãs que causou a morte de 10 soldados franceses, e feriu outros 21.

EFE |

Trata-se da maior perda registrada pelas forças francesas no país asiático desde o começo da intervenção militar, em 2001, e uma das mais importantes sofridas por militares franceses desde o atentado de 1983, em Beirute, que matou 58 soldados.

"Minha determinação está intacta", afirmou Sarkozy, hoje, em comunicado, após assinalar que "em sua luta contra o terrorismo, a França acaba de ser duramente atingida".

"A França está decidida a prosseguir na luta contra o terrorismo, pela democracia e a liberdade. A causa é justa, defendê-la é a honra da França e de suas Forças Armadas", assegurou Sarkozy.

O presidente, que passava seus últimos dias de férias no sudeste da França, viaja esta noite ao Afeganistão para assegurar aos militares franceses que a nação segue "a seu lado".

Amanhã em Cabul, Sarkozy renderá tributo às vítimas, visitará os feridos e se reunirá com o general francês na região, antes de encontrar o presidente afegão, Hamid Karzai.

Os pára-quedistas franceses, que participavam de uma missão de reconhecimento e inteligência junto a soldados afegãos e forças especiais americanas, caíram em uma emboscada na área de Uzbin, no vale de Surobi, cerca de 50 quilômetros ao leste de Cabul.

A emboscada ocorreu na segunda-feira, no início da tarde. Nos primeiros minutos, morreram nove militares franceses. Um décimo homem morreu durante a madrugada.

Os feridos, que não correm risco de morte, foram evacuados de madrugada até o hospital militar francês em Cabul, e vários deles serão repatriados amanhã a Paris.

Segundo o chefe de Estado-Maior, um importante dirigente da rebelião talibã se encontra entre os insurgentes feridos.

De acordo com estimativas citadas pelo ministro de Defesa francês, Hervé Morin, cerca de 30 insurgentes morreram e outros ficaram feridos.

Não houve um único falecimento entre os soldados afegãos e os membros das forças especiais dos EUA que integravam o destacamento liderado por soldados franceses da Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (Isaf), sob o comando da Otan.

Morin afirmou que a emboscada ocorreu na zona central do país, e não na província de Kapisa, onde a França assumiu o comando no último verão europeu, ao enviar 700 tropas adicionais.

Em abril, na cúpula da Otan em Bucareste, Sarkozy anunciou o envio dos reforços à região, como pediam os EUA.

A decisão de Sarkozy de ampliar a presença francesa no Afeganistão, onde o país possui agora 3 mil soldados, suscitou fortes críticas da oposição de esquerda.

Hoje, dirigentes do Partido Socialista (PS) expressaram sua "solidariedade" com os militares franceses desdobrados no Afeganistão, e indicaram que não é o momento de polemizar.

O líder do PS, François Hollande, que em um debate parlamentar em abril acusou Sarkozy de "se alinhar a Washington" e denunciou o risco de uma escalada de violência no Afeganistão, pediu hoje a urgente convocação das comissões legislativas para debater "os objetivos desta guerra" e o número de forças necessárias para alcançá-los.

O líder centrista François Bayrou considerou necessário colocar a questão dos meios materiais para a segurança dos soldados no Afeganistão, enquanto o ultradireitista Jean-Marie Le Pen opinou que os soldados franceses não devem "morrer pelo Tio Sam".

Mas Sarkozy, que disse há alguns meses que as forças francesas seguiriam no Afeganistão pelo tempo que fosse necessário, deixou claro que não mudará sua política.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, rendeu tributo aos soldados franceses que "participam da luta pela paz no Afeganistão".

O titular da Defesa, que acompanhará Sarkozy em Cabul, afirmou que o país combate no Afeganistão "o terrorismo que ameaça sua democracia".

"No retorno da paz ao país asiático está sendo jogada uma parte da segurança do mundo", afirmou. EFE al/gs

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