Sarkozy vai à Irlanda para tentar salvar tratado da UE

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chega à Irlanda nesta segunda-feira para uma visita oficial em que vai discutir a crise provocada na União Européia depois que os irlandeses rejeitaram o Tratado de Lisboa em um referendo no mês passado. Sarkozy deve ficar menos de seis horas no país.

BBC Brasil |

Durante a visita, vai se reunir com o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen. Também deverá visitar a embaixada da França na capital irlandesa, Dublin.

O Tratado de Lisboa, que muda o funcionamento da União Européia, precisa ser aprovado por todos os 27 membros do bloco.

AFP
Segundo o correspondente da BBC em Dublin, Jonny Dymond, as declarações feitas pelo líder francês na semana passada, de que a Irlanda teria de realizar um segundo referendo sobre o tratado, irritaram muitos políticos irlandeses.

Uma proposta sugerida por Sarkozy de realizar uma mesa redonda com políticos pró e contra o tratado também foi mal-recebida pelos irlandeses, afirma Dymond.

Depois do plebiscito em que o tratado foi rejeitado, o governo irlandês disse que iria analisar as razões do resultado e apresentar alternativas em uma cúpula da União Européia marcada para outubro.

"Ouvir"

No entanto, como a França assumiu a Presidência rotativa do bloco neste mês, Sarkozy disse que seu papel agora é ouvir as razões dos irlandeses.

Em uma entrevisa publicado pelo diário espanhol El País no domingo, o ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, disse que o presidente francês iria à Irlanda para ouvir os irlandeses.

"Eu acredito que o que devemos fazer na segunda-feira é ouvi-los", disse Kouchner. "Afirmar que isso pode ser resolvido rapidamente não é verdade. Precisamos de tempo."
O ministro do Exterior da Irlanda, Micheal Martin, disse que Sarkozy não vai ao país para "impor soluções" aos eleitores irlandeses.

Martin disse que a Irlanda vai tomar sua própria decisão sobre o tratado e acrescentou que ainda é muito cedo para saber que decisão será essa.

A Irlanda foi o único país da União Européia em que foi realizado um referendo para definir a adoção do Tratado de Lisboa. Nos demais países, o texto foi submetido à apreciação dos parlamentos nacionais.

O texto reforma a União Européia, substituindo uma proposta mais ambiciosa de Constituição do bloco. O texto da Constituição foi derrotado em 2005 em plebiscitos na França e na Holanda.

Entre as reformas propostas pelo tratado estão a criação de uma Presidência do Conselho de Ministros da União Européia com longo mandato, um chefe de política externa com mais poderes e a remoção do poder de veto de países em um número maior de áreas de decisão.

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