Sarkozy tentará vencer reticências de Bush sobre cúpula de crise

As expectativas americanas e européias pareciam, nesta sexta-feira, muito distantes, na véspera do encontro sobre a crise financeira mundial entre o presidente George W. Bush, seu colega francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.

AFP |

Procedentes do Canadá, Sarkozy e Durão Barroso se reúnem amanhã à tarde, na residência presidencial de Camp David, perto de Washington, na tentativa de convencer Bush e os americanos a aceitar uma "refundação" do sistema financeiro mundial.

Bush admitiu hoje a necessidade de uma reforma do sistema, mas, a três meses de deixar a Casa Branca, o presidente disse que essa tarefa cabe a seu sucessor, ressaltando que deve ser "uma prioridade" para o próximo ocupante da Casa Branca.

O presidente Bush não esclareceu, porém, se falava apenas do sistema americano, no momento em que os europeus reivindicam uma reforma completa e propõem instaurar uma espécie de supervisão mundial dos mercados, que se assemelharia ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Durante um discurso em Washington, Bush advertiu para as "conseqüências indesejáveis" que uma nova regulação não deve ter, segundo ele, na atividade econômica e defendeu as virtudes do "capitalismo democrático".

"Não devemos perder de vista nunca os enormes benefícios trazidos pelo sistema de livre-empresa. Apesar dos corretivos nos mercados e apesar de determinados abusos, o capitalismo democrático continua sendo o maior sistema já concebido", frisou.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, tentou, por sua vez, acalmar as expectativas sobre as discussões de sábado.

"Posso lhes assegurar que não acho que vamos reescrever Bretton Woods, amanhã, em Camp David", brincou Perino, referindo-se aos acordos firmados em 1944 que fundaram o atual sistema financeiro, após a Segunda Guerra Mundial, e cuja revisão é reclamada pelos europeus.

Perino disse ainda não esperar que Bush, Sarkozy e Durão Barroso anunciem, no sábado, a data e o local de uma cúpula.

"Há muitas coisas nas quais trabalhar. Encontraremos uma data, mas encontrar uma data é a última de nossas preocupações", completou.

Ontem, Sarkozy voltou a insistir na urgência de uma cúpula antes do fim do ano.

"Se nós esperarmos pelo novo presidente, isso significa, no melhor dos casos, que vamos nos reunir na primavera (hemisfério norte). Eu digo a vocês que é muito tarde e isso não é aceitável", declarou o presidente em exercício da UE, na quinta-feira, durante a coletiva de imprensa de encerramento da cúpula européia.

"A Europa quer a cúpula antes do fim do ano. A Europa quer, a Europa pede e a Europa conseguirá", insistiu Sarkozy.

lal/tt/LR

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