Sarkozy se une a esforços internacionais por trégua em Gaza

Cairo, 5 jan (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, uniu-se hoje às negociações internacionais no Oriente Médio que buscam uma trégua em Gaza, enquanto Israel continua a ofensiva militar que já matou pelo menos 530 palestinos.

EFE |

Sarkozy chegou ao Egito, no início de uma viagem em que se reunirá com líderes-chave da região, tanto árabes quanto israelenses, em uma negociação que se desenvolve simultaneamente a outra da UE e que vem precedida de outros esforços parecidos.

Na cidade turística de Sharm el-Sheikh, local preferido pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, para receber visitantes estrangeiros, Sarkozy estudou com o governante egípcio a possibilidade de buscar uma trégua em Gaza.

Sarkozy e Mubarak, em um almoço de trabalho, analisaram "os esforços para alcançar um imediato cessar-fogo em Gaza e suspender os ataques israelenses contra os palestinos", segundo disse a agência estatal de notícias egípcia "Mena".

Não houve declarações aos jornalistas após esta reunião. Segundo a mesma agência, Mubarak e Sarkozy analisaram também a possibilidade de "restabelecer a tranqüilidade entre israelenses e palestinos para retomar as negociações de paz".

A agenda de Sarkozy inclui uma visita à Cisjordânia, para se reunir com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, antes que este vá para Nova York, onde assistirá a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU.

Depois, Sarkozy seguirá para Jerusalém, para conversar com as máximas autoridades israelenses, e amanhã viajará à Síria e ao Líbano, a fim de seguir analisando as opções em dois países que são essenciais para qualquer acordo regional.

A viagem do presidente francês se soma a outra iniciada ontem à noite no Cairo, uma missão da União Européia liderada pelo ministro tcheco de Relações Exteriores, Karl Schwarzenberg.

Esta delegação reuniu-se também com Mubarak, antes de Sarkozy e, assim como ele, partiu depois para Jerusalém, para conversar com as autoridades israelenses.

Tanto no Egito como em Israel, a missão liderada pelo ministro tcheco insistiu na necessidade de conseguir "o mais rápido possível" um cessar-fogo em Gaza e que se abram as passagens na fronteira para aliviar a situação humanitária de seus habitantes.

"A União Européia, nesta etapa crítica na região, está mobilizada em colaborar com um cessar-fogo o mais rápido possível", disse no Egito o chefe da diplomacia européia, Javier Solana, que faz parte da delegação européia.

Enquanto isso, porém, em Jerusalém, o ministro tcheco de Relações Exteriores, em entrevista coletiva junto com sua colega israelense, Tzipi Livni, disse que a missão não tinha um plano específico para conseguir uma trégua em Gaza.

"O cessar-fogo deve ser concluído entre as partes", acrescentou.

"Nós podemos mediar, podemos ajudar em uma solução, mas não depende de nós propor condições", disse o ministro tcheco, cujo país preside neste semestre a União Européia.

As negociações européias foram precedidas na semana passada pela viagem do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que visitou vários países da região, menos Israel, entre 31 de dezembro e 3 de janeiro, também buscando uma trégua em Gaza.

As negociações turcas continuaram hoje em Ancara, onde seu ministro de Relações Exteriores desse país, Ali Babacan, reuniu-se com seu colega sírio, Walid al Mualen, para avançar nos esforços por uma trégua em Gaza.

Os esforços para acertar posições se estenderão também amanhã no Cairo, onde uma representação do Hamas, que controla Gaza, se reunirá com autoridades do Egito para analisar a possibilidade de uma trégua, segundo fontes egípcias.

O Hamas, que começou a lançar foguetes contra Israel antes mesmo do fim de um cessar-fogo anterior, em 19 de dezembro, diz estar disposto a analisar essa possibilidade.

O grupo condiciona que Israel reafirme seu compromisso de se retirar dos territórios palestinos ocupados e reabra as fronteiras que estão bloqueando Gaza desde junho de 2007, quando o Hamas tomou a Faixa da ANP pelas armas.

"Só isto pode gerar um bom clima para uma solução política", disse em declarações à emissora de TV com sede no Catar "Al Jazira", de Beirute, o dirigente do Hamas Usama Hamedan.

"Se não for assim -acrescentou- o povo vai continuar a resistência e não se renderá", alegou. EFE ag/jp

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