Sarkozy se reúne com sindicatos para definir combate à crise

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, recebe nesta quarta-feira os representantes dos principais sindicatos patronais e de empregados da França para definir um pacote de medidas sociais destinadas a conter os efeitos da crise mundial no país. O presidente francês aposta no resultado do encontro para diminuir o descontentamento da população e recuperar sua popularidade, em queda nos últimos meses.

BBC Brasil |

As medidas que serão definidas com os sindicatos serão anunciadas pelo presidente, em pronunciamento televisivo, na noite desta quarta-feira.

O pacote deve prever a redução de impostos para a classe média, aumento do seguro desemprego, extensão de benefícios sociais para famílias mais modestas e idosos, além de compensações financeiras para jovens que acumulem contratos de trabalho precários.

Uma das propostas estudadas é a supressão de uma das parcelas da primeira alíquota do imposto de renda, que incide sobre os salários mais baixos. Essa medida pode beneficiar 4 milhões de famílias.

No início do mês, Sarkozy já havia prometido utilizar 1,4 bilhões de euros, montante que corresponde aos juros pagos pelos empréstimos feitos pelo governo aos bancos em dificuldades, para financiar "medidas sociais".

Em sua edição desta quarta-feira, o jornal francês Le Monde
afirma, no entanto, que o valor total do pacote pode chegar a 2,6 bilhões de euros.

A reunião desta quarta-feira, que está sendo chamada pela imprensa de "Cúpula Social", foi anunciada pelo presidente Sarkozy no dia 5 de fevereiro, uma semana depois da greve geral que mobilizou entre 1 milhão e 2,5 milhões de pessoas em todo o país.

Os franceses saíram às ruas para protestar contra as políticas social e econômica do presidente, reclamar a perda de poder aquisitivo e pedir garantiras de manutenção do emprego.

Eleito com o compromisso de melhorar o poder aquisitivo da população, Sarkozy é criticado por não ter cumprido suas promessas.

A insatisfação social aumentou ainda mais com a crise econômica. Segundo pesquisa publicada nesta quarta-feira, 60% dos franceses consideram ruins e insuficientes as medidas adotadas pelo governo para conter os efeitos da crise.

A sondagem também indica que a maioria da população estima que as medidas beneficiam, principalmente, os bancos e instituições financeiras. O pacote anticrise francês prevê 360 bilhões de euros de resgate aos bancos e 26 bilhões para estimular a economia.

Com as medidas que serão anunciadas nesta quarta-feira, Nicolas Sarkozy quer evitar que o caos econômico que se anuncia para 2009 se transforme em avalanche social.

Na semana passada, a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, confirmou que o PIB francês deste ano vai registrar crescimento negativo e deve sofrer retração de cerca de 1%. No ano passado, o desemprego aumentou 11,4% na França, totalizando 2 milhões de pessoas.

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