Sarkozy se reúne com Dalai Lama apesar dos protestos da China

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, se reuniu neste sábado pela primeira vez com o Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano, no porto de Gdansk, norte da Polônia, apesar de duras queixas por parte da China e da ameaça de Pequim de boicote a produtos franceses.

AFP |

Sarkozy se encontrava em Gdansk, onde participou na cerimônia do 25º aniversário da entrega do Prêmio Nobel da Paz ao presidente polonês, Lech Walesa, fundador do histórico sindicato Solidarnosc.

O presidente francês se reuniu por cerca de meia hora com o Prêmio Nobel da Paz-1989, no primeiro encontro de um presidente francês com o líder tibetano, exilado desde 1959 em Dharamsala, norte da Índia.

No início do encontro, o chefe espiritual tibetano colocou sobre os ombros de Sarkozy um "kata", tradicional lenço branco tibetano.

"É nossa tradição", explicou ele, em inglês, a Sarkozy. Depois da reunião, o chefe de Estado francês disse à imprensa que tudo trancorreu muito bem. "Como acertamos com o Dalai Lama, de nos vermos antes do fim de 2008, esse encontro aconteceu".

"O Dalai Lama me indicou o quanto apoiou minha viagem a Pequim por ocasião dos Jogos Olímpicos e que o quanto desejava que os jogos fossem um sucesso para as autoridades chinesas", contou ainda.

"O Dalai Lama me confirmou o que eu já sabia, e eu lhe falei da importância que concedo à continuação do diálogo entre o Dalai Lama e as autoridades chinesas. A questão do Tibete é de muita importância para a Europa", enfatizou Sarkozy.

A respeito dos protestos oficiais chineses por causa de seu encontro, afirmou: "as autoridades chinesas sabiam perfeitamente que esse encontro iria acontecer antes do fim do ano. Eu sempre disse isso".

"Este encontro será um sinal muito forte para os tibetanos, para nossos compatriotas que lutam encarniçadamente de forma não violenta há tanto tempo", declarou anteriormente o secretário do Escritório do Tibete em Paris, Wangpo Bashi, a uma emissora francesa.

Desde que o encontro foi anunciado, há várias semanas, a China pressionava a França para voltar atrás, chegando a cancelar uma cúpula China-União Européia (os franceses ocupam atualmente a presidência rotativa do bloco), que deveria ter acontecido no dia 1º de dezembro em Lyon, centro-oeste da França, e uma cúpula bilateral, que seria realizada no palácio do Eliseu.

Agora, Pequim ameaça instituir um boicote aos produtos franceses.

A China já havia feito pressões semelhantes em julho e agosto, quando o presidente francês informou que não sabia se compareceria à abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Após uma visita de Sarkozy à capital chinesa no fim de 2007, empresas francesas obtiveram contratos no valor de 20 bilhões (25 bilhões de dólares) de euros com o país.

Sarkozy também expressou seu desejo de que a China assuma o lugar que lhe corresponde no cenário político do mundo.

"Necessitamos da China para resolver os grandes problemas no mundo, e que a China dialogue, como el presidente Hu Jintao dialogou com o Dalai Lama", assegurou.

Indagado sobre a crise entre a França e a China, o presidente francês tentou acalmar os ânimos.

"É preciso tratar tudo isso com grande serenidade, com calma. É preciso fazê-lo a longo prazo, levando em conta seu conjunto de acontecimentos e dando a importância que tiverem".

npk-jca/cn

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