Paris, 31 dez (EFE).- O presidente da França, Nicolas Sarkozy, despede-se hoje da Presidência rotativa da União Européia (UE) com um balanço positivo e grande parte de seus objetivos alcançados, apesar da atual conjuntura econômica.

Para a imprensa do país e os analistas, a França, que entregará o comando do bloco europeu à República Tcheca, conseguiu relançar a Europa no cenário internacional, graças, em grande medida, ao trabalho de Sarkozy.

Nesta quarta-feira, o jornal "Le Monde", em uma análise intitulada "A Presidência francesa da UE vista por nossos vizinhos", fala da hiperatividade de Sarkozy nos últimos meses, de seu "apetite por poder" e de seu estilo muito particular na hora de lidar com crises e situações extremas.

Ninguém questiona os resultados do trabalho do presidente francês à frente da UE, mas alguns analistas acham que Sarkozy foi um tanto beneficiado pela falta de uma liderança política clara nos Estados Unidos.

Ainda assim, o dinamismo do chefe de Estado da França, que para alguns não passa de megalomania, e seu forte compromisso permitiram que a UE avançasse em questões complicadas e sensíveis, como as relacionadas à mudança climática, à reforma da Constituição européia e à política de imigração e asilo.

Além disso, Sarkozy conseguiu fazer todos os Estados-membros do bloco aceitarem um plano comum de combate à crise financeira internacional, o qual prevê o uso de até 200 bilhões de euros na reativação da economia regional.

Ontem mesmo, às vésperas do fim do mandato da França à frente da UE, Sarkozy convocou os ministros de Assuntos Exteriores do bloco para uma reunião de emergência sobre a atual ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza.

E amanhã, quando já não será mais o presidente do Conselho Europeu, o chefe do Estado francês deverá receber no Palácio do Eliseu a ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, a quem tentará mostrar a importância de seu Governo aceitar um cessar-fogo e uma trégua humanitária imediata na Faixa de Gaza.

O balanço da Presidência francesa na UE provavelmente será feito esta noite, na mensagem que Sarkozy dirigirá a todos os franceses por ocasião do Ano Novo.

Embora a mensagem vá focar questões domésticas, o presidente não esquecerá de lembrar seus êxitos à frente do bloco no último semestre. Além disso, assegurará a seus compatriotas que não pretende desaparecer da cena política internacional, entre outras razões, porque este é um trabalho do qual gosta.

Sarkozy deixou isso bem claro no último dia 12, na última cúpula de chefes de Estado e de Governo da UE que comandou, quando aproveitou para se despedir de seus colegas.

"Apaixonei-me pelo que fiz", disse na ocasião, antes de desejar aos que o substituírem que enfrentem a tarefa com a mesma esperança que ele.

Essas palavras, na verdade, soaram como uma velada advertência à República Tcheca, país que ainda não ratificou o Tratado de Lisboa e que conta com uma população majoritariamente resistente ao bloco, incluindo o presidente Vaclav Klaus.

Fontes do Palácio do Eliseu já disseram de modo bem claro: "Se os tchecos não fizerem nada, o presidente não ficará de braços cruzados".

Sarkozy e outros líderes europeus "não deixarão que se instale uma espiral negativa", advertiram as fontes, que acrescentaram que a França não permitirá que os trabalhos dos últimos seis meses sejam esquecidos.

No entanto, o líder do partido Frente Nacional, o ultraconservador Jean-Marie Le Pen, está convencido de que a Presidência francesa à frente da UE virará passado "em 15 dias".

Le Pen furou o presidente francês ao desejar boas entradas à população no site de seu partido. Em um vídeo, o representante da extrema-direita francesa diz que Sarkozy encontrou na Presidência rotativa da UE uma "ilusão efêmera" de poder.

A principal legenda da oposição, o Partido Socialista (PS), esperará a mensagem presidencial de fim de ano para se pronunciar.

EFE pi/sc

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.