Sarkozy quer vetar entrada de pregador muçulmano do Catar na França

Como parte de luta contra radicalismo islâmico após ataques, líder diz que convidados de congresso religioso 'não são bem-vindos'

iG São Paulo |

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que o controverso pregador muçulmano Yusef al-Qaradaui “não é bem-vindo” na França, país que pretendia visitar em abril a convite de uma organização religiosa. Em entrevista à emissora France Info, Sarkozy também descartou qualquer relação entre as leis de imigração e os ataques contra uma escola judaica e militares franceses dos quais Mohamed Merah , francês de origem argelina  morto na semana passada , é considerado suspeito.

De origem egípcia e nacionalidade do Catar, Al-Qaradaui é acusado de antissemitismo e já foi proibido de entrar no Reino Unido e nos Estados Unidos. “Disse ao próprio emir do Catar que este senhor não é bem-vindo no território da República Francesa", declarou Sarkozy à emissora France Info.

Leia também: Ataques na França favorecem Sarkozy, afirma opositor Villepin

AP
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, discursa em Ormes, na França

Al-Qaradaui participaria do congresso da União de Organizações Islâmicas da França (UOIF). "Afirmei que não serão bem-vindas algumas pessoas convidadas para este congresso e que têm discursos que não são compatíveis com o ideal republicano", disse Sarkozy, que está em campanha pela reeleição.

Como Al-Qaradaui tem passaporte diplomático, não precisaria de visto para entrar na França. Aos 86 anos, ele é considerado um dos mais influentes pregadores do islã sunita graças a seus discursos no canal Al-Jazeera e no portal IslamOnline. Ele deixou o Egito nos anos 1960, depois de ter sido detido pelo governo de Gamal Abdel Nasser, que reprimia a Irmandade Muçulmana.

Também nesta segunda-feira, Sarkozy criticou as acusações da extrema direita de que os ataques contra a escola judaica e militares do país sejam evidencias da necessidade de leis de imigração mais duras. O suspeito dos atentados, Mohamed Merah, disse fazer parte da Al-Qaeda e ter buscado vingar crianças palestinas e os crimes da França no Afeganistão.

“Não podemos igualar Mohamed Merah – que nasceu na França e é francês – com os imigrantes que chegam de barco”, afirmou o presidente à mesma rádio. “Esse homem, com todo o respeito, é um monstro.”

Apesar de descartar a relação entre os ataques e as leis de imigração, Sarkozy reafirmou sua defesa por um maior controle nas fronteiras, dizendo que o fluxo de imigrante é maior do que o país pode suportar.

No fim de semana, a candidata da extrema-direita à presidência da França, Marine Le Pen, afirmou que novos ataques podem acontecer se o país não “fechar suas portas”. “Quantos outros Mohamed Merahs estão em aviões e barcos cheios de imigrantes que chegam todos os dias?”, afirmou, durante comício no oeste do país.

Na semana passada, Le Pen, que é líder do partido Frente Nacional, disse que os assassinatos de Toulouse demonstram que a França "subestimou perigosamente a ameaça do extremismo muçulmano".

Assim como o candidato socialista à presidência, François Hollande, ela questionou a atuação das agências de inteligência francesas , que monitoravam o suspeito havia anos.

O primeiro-ministro da França, François Fillon, fez na sexta-feira uma forte defesa da atuação das agências , dizendo que não havia base legal para prender Merah antes dos ataques que deixaram sete mortos.

“As agências fizeram seu trabalho perfeitamente”, disse o premiê, em entrevista a uma rádio francesa. “Não havia evidência que sugerisse que ele era um homem perigoso. Pertencer a uma organização salafista não é crime. Não podemos confundir fundamentalismo religioso com terrorismo, ainda que alguns elementos unam as duas coisas .”

Com AP

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