Sarkozy quer comprometimento de Chávez nas negociações com as Farc

O presidente francês Nicolas Sarkozy afirmou, nesta quinta-feira, esperar que o presidente venezuelano Hugo Chávez continue comprometido com as negociações com a guerrilha colombiana das Farc, após assegurar que não vai desistir da libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt.

AFP |

"Fui muito criticado quando recebi Chávez aqui mas desejo que ele continue comprometido" nas negociações para obter a libertação de Betancourt, disse Sarkozy.

"Não renunciarei, não cederei", assegurou Sarkozy ao lembrar "as condições abomináveis" em que a refém se encontra.

"Considero que está martirizada", insistiu o mandatário francês.

A uma pergunta sobre se as negociações poderiam ter sido mais discretas, Sarkozy reconheceu que "talvez tenha me equivocado, mas não é fácil".

Sarkozy afirmou ainda que graças à pressão diplomática francesa, "temos uma prova de vida de Betancourt, que não é pouco para a família", considerou.

O chefe de Estado francês também afirmou hoje, durante entrevista transmitida pela televisão, que ainda não decidiu se irá participar da cerimônia de abertura dos jogos Olímpicos de Pequim em agosto.

Sarkozy declarou que "fará tudo" para que os países da União Européia, a ser presidida pela França, cheguem "a uma posição comum" sobre este assunto.

Em entrevista concedida hoje, Nicolas Sarkozy também afirmou ter ficado "chocado pelo ocorrido no Tibete" e que havia dito isso ao presidente chinês Hu Jintao.

Ele pediu ainda "maior autonomia" para o Tibete, assinalando ao mesmo tempo que Paris reconhecia efetivamente que esta região fazia parte da China.

"A China ajuda o mundo na crise de Darfur, tenta impedir que o Irã consiga uma arma nuclear", assinalou.

O presidente francês enviou três emissários para a China com o objetivo de tentar normalizar as relações entre os dois países, prejudicadas pela crise no Tibete e pelo fiasco da passagem da chama olímpica por Paris.

O sentimento contra a França aumentou nestes últimos dias na China, ilustrado por manifestações contra a empresa Carrefour.

Sarkozy disse também que "vai realizar um referendo" sobre a entrada da Turquia na União Européia, recordando a sua oposição a essa adesão na entrevista transmitida pela televisão.

O presidente francês também afirmou nesta quinta-feira que o déficit público será reduzido até 2012, através da não substituição de um funcionário em cada dois que se aposente.

"O déficit será reduzido até 2012 como me comprometi", disse.

"Não iremos substituir 23.200 funcionários este ano", assinalou o chefe de Estado durante a entrevista concedida por ocasião do primeiro aniversário do seu mandato presidencial.

O déficit público da França para 2009 foi projetado recentemente para mais de 2,0% do PIB, contra 1,7% previsto inicialmente.

Para 2007, a França conta com um déficit de 2,7% do PIB e para 2008, de 2,5%.

Nicolas Sarkozy também admitiu, hoje, ter cometido "erros" durante seu primeiro ano no cargo mas disse que as reformas planejadas continuam sendo necessárias, em uma entrevista na televisão.

Ouvido sobre sua clara queda de popularidade, apontada pelas pesquisas, Sarkozy indicou que "sem dúvida não me expliquei o suficiente, sem dúvida eu mesmo cometi erros".

Após um jornalista dizer que os franceses estão "desconcertados", Sarkozy disse que tinha "uma parte de responsabilidade" nessa situação.

Contudo, o presidente francês pediu que fosse julgado apenas no término do seu mandato, após insistir que foi eleito para realizar "as mudanças que o país precisa".

"Temos um contexto internacional difícil, mais uma razão para aceleramos as reformas", acrescentou.

As declarações do mandatário francês aconteceram durante uma entrevista dirigida por cinco jornalistas e transmitida ao vivo do Palácio do Eliseu.

De acordo com pesquisas publicadas para em 21 de abril, 72% dos franceses estão descontentes com Sarkozy e 79% consideram que a situação do país não melhorou.

Sarkozy foi eleito presidente em 6 de maio de 2007 com 53% dos votos.

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