Sarkozy quebra na 2ª- feira silêncio sobre denúncia de Caixa 2

Em TV, líder francês falará sobre denúncia de que sua campanha presidencial de 2007 recebeu fundos ilegais da herdeira da L'Oréal

iG São Paulo |

AP
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, é visto em frente do Palácio do Eliseu em Paris (08/07/2010)
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, abordará segunda-feira no canal de televisão pública France 2 o caso Woerth-Bettencourt, respondendo "a todas as questões da atualidade" durante emissão de uma hora (das 20h15 à 21H15 locais - 15h15 às 16h15, em Brasília), informou a France 2.

Sarkozy enfrenta uma crise política, nascida de uma sucessão de acusações de conflitos de interesse e de financiamento político ilegal.

O anúncio da entrevista ocorre um dia depois de Claire Thiboult, antiga contadora da herdeira da L'Oréal, Liliane Bettencourt, de 87 anos, ter retirado parte das declarações explosivas que o site Mediapart divulgou na terça-feira sobre um suposto financiamento ilegal da campanha do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em 2007.

Segundo o site, Claire teria dito que a administradora da fortuna de Liliane, Patrice de Maistre, teria doado 150 mil euros em espécie para a campanha presidencial de Sarkozy, em março de 2007, por meio de Eric Woerth - então tesoureiro do partido governista União do Movimento Popular (UMP, direita) e da campanha de Sarkozy.

Pessoas ligadas a Sarkozy e a Woerth desmentiram as acusações. Na terça-feira, o presidente francês classificou de " calúnias com o objetivo de difamar " as acusações. Woerth, que atualmente é ministro do Trabalho do governo Sarkozy, também negou categoricamente ter recebido dinheiro ilegal de Bettencourt.

Na quinta-feira, o jornal "Le Monde" assegura que, após as controvertidas revelações que a contadora fez ao site "Mediapart",  os investigadores voltaram a interrogá-la na quarta-feira. Aparentemente nesse segundo questionamente, ela negou que Bettencourt entregasse envelopes com dinheiro a Sarkozy quando ele era prefeito de Neuilly, cidade vizinha a Paris, nos anos 90.

Também colocou dúvidas em torno de datas e disse que o "Mediapart" distorceu suas palavras. Ela, porém, manteve a informação de que a gerente da fortuna da idosa, Patrice de Maistre, pediu-lhe 50 mil euros para doá-los ao ministro do Trabalho.

O caso está nas mãos da Promotoria de Nanterre , nos arredores de Paris, que abriu uma investigação preliminar sobre as supostas contribuições ilegais que o UMP teria recebido da herdeira por meio de Woerth. A revelação do caso pelo Mediapart domina as manchetes dos jornais franceses e compromete o minitro do Trabalho, cuja mulher trabalhava em uma empresa que fazia parte da assessoria fiscal de Bettencourt.

nullNa terça-feira, Woerth deve apresentar ao Conselho de Ministros a impopular reforma das aposentadorias, que eleva a idade mínima de 60 para 62 anos até 2018, em meio a uma enxurrada de críticas da esquerda e dos sindicatos.

Defesa do site

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) defendeu nesta sexta-feira os jornalistas do Mediapart frente às duras críticas realizadas pelo governo. "Os ataques desses últimos dias contra a imprensa devem ser levados a sério", declarou a RSF em comunicado no qual lamentou as críticas do secretário-geral do UMP, que criticou os "métodos fascistas" dos jornalistas do Mediapart.

Segundo a RSF, os métodos adotados pelo governo e pelos membros da maioria parlamentar para atacar a imprensa são "retrógrados". A organização defende, além disso, que é "legítimo" e "necessário" que a imprensa forneça informações sobre o mundo da política.

Perante críticas como as da ministra da Família, Nadine Morano, que chamou o "Mediapart" de "site de rumores", a organização pela liberdade de imprensa lembra que o jornalismo procura informar o público de questões de interesse geral, "como é o caso" do escândalo Bettencourt.

A RSF lembra que, para velar pelo jornalismo investigativo, a França adotou em janeiro uma lei para garantir o segredo das fontes e acrescenta que "o respeito à vida privada está estritamente protegido na França" mais do que em alguns "vizinhos europeus".

*Com EFE e AFP

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