Sarkozy promete taxa ecológica para consumo e produção limpos

Paris, 31 dez (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, prometeu hoje um novo imposto ecológico que incite ao consumo e à produção limpos, depois que o Conselho Constitucional vetou o projeto governamental que entraria em vigor amanhã.

EFE |

"O imposto ecológico que permite taxar a poluição e exonerar o trabalho é uma aposta importante", disse o presidente francês, em seu discurso anual de Ano Novo à nação.

Sarkozy insistiu em que o Executivo apresentará um novo imposto ecológico no próximo dia 20, depois que, na terça-feira, o Conselho Constitucional afirmou que o dispositivo idealizado pelo Governo era contra a Carta Magna.

Esse novo dispositivo será destinado "a incitar que o consumidor consuma melhor e o produtor produza limpo", disse Sarkozy.

O Conselho Constitucional precisou que a norma não lutava contra a emissão de gases do efeito estufa, já que deixava mais da metade destas isentas do imposto.

Além disso, indicava que se rompia a união nacional frente a uma taxa.

O imposto ecológico era uma das medidas mais importantes do Orçamento do Governo francês para 2010, com o qual se pretendia arrecadar 2 bilhões de euros.

A decisão do Conselho Constitucional foi interpretada na França como um golpe a Sarkozy, que tinha comparado o imposto ecológico a reformas tão importantes quanto a descolonização ou a abolição da escravidão.

Em sua mensagem à nação, Sarkozy afirmou que, "após um ano difícil para todos" por causa da crise econômica, virá um 2010 "de renovação", no qual o país "colherá os frutos" das reformas iniciadas pelo Executivo.

O presidente agradeceu aos franceses seus esforços, apesar da crise, e previu "novas reformas" para o próximo ano, porque ninguém "acredita que, em um mundo que se movimenta, o imobilismo seja uma alternativa".

"Resta muito trabalho", afirmou Sarkozy, que marcou como prioridade para o próximo ano "fazer recuar o desemprego e a exclusão".

"Juntos, evitamos o pior. Mas também preparamos o futuro. No momento no qual tudo leva a pensar que o crescimento econômico vai voltar, vemos que, durante este ano, em meio a todo tipo de dificuldades, um mundo novo começou a ser construído", disse.

Sarkozy destacou a "nova organização mundial" iniciada no Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes), que permitirá enfrentar "problemas que pareciam insolúveis", como as gratificações "extravagantes" dos dirigentes de grandes empresas e os paraísos fiscais.

Considerou que a cúpula de Copenhague sobre a mudança climática "abriu as portas" para avaliar os objetivos de redução de emissões de gases do efeito estufa e do financiamento dos países mais pobres com uma taxação sobre a especulação financeira. EFE lmpg/an

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