Sarkozy promete investir no Iraque em visita histórica ao país

Bagdá, 10 fev (EFE).- O presidente da França, Nicolas Sarkozy, fez hoje uma visita ao Iraque, a primeira de um chefe de Estado francês ao país, onde, após constatar as melhoras na área de segurança, afirmou que chegou a hora de investir no país árabe.

EFE |

"Depois da melhora na situação de segurança, chegou a hora de investir no Iraque e de reinseri-lo novamente na comunidade mundial", disse Sarkozy numa entrevista que concedeu na Zona Verde de Bagdá junto com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, com quem tinha se reunido anteriormente.

Assim, "pedimos às empresas francesas que retornem ao Iraque para investir", disse o presidente francês, que manifestou sua disposição em cooperar nos setores energético, de reconstrução e de infraestruturas.

Nesse sentido, Sarkozy disse que uma delegação de seu país visitará futuramente o país árabe para participar de sua reconstrução, embora não tenha especificado nenhuma data.

O presidente da França chegou esta manhã à capital iraquiana numa visita surpresa, que reflete o interesse da França em reforçar as relações com o Iraque.

Paris apoiou militarmente Bagdá durante a guerra travada com o Irã entre 1980 e 1988. E em 2003, durante a Presidência de Jacques Chirac (1995-2007), a França foi um dos países que mais se opôs à invasão americana ao Iraque, chegando, inclusive, a ser recusar a enviar tropas.

Durante a visita desta terça-feira a Bagdá, Sarkozy anunciou que a França construirá uma nova embaixada na capital e abrirá dois consulados, um em Erbil e outro em Basra - no Curdistão iraquiano e no sul, respectivamente -, "para facilitar os trabalhos das companhias e dos empresários franceses".

"A França quer olhar para o futuro, e não para o passado, porque o passado foi doloroso para os iraquianos", disse o presidente francês, segundo quem seu país "sempre esteve presente diplomaticamente" no país árabe, "motivo pelo qual pode ser uma ponte para que todos se reconciliem em torno do novo Iraque".

Além disso, declarou que seu país perdoou 80% da dívida iraquiana, enquanto os 20% restantes "poderão ser saldados com projetos que poderão ser discutidos ou estudados".

Por sua vez, Maliki expressou sua satisfação pela visita de Sarkozy: "Estamos muito satisfeitos com esta visita e achamos que acontece no momento oportuno. Renovamos nosso agradecimento e nosso apreço por esta histórica viagem que abrirá os horizontes da cooperação entre nossos países".

Maliki disse que sua reunião de hoje com Sarkozy esteve cheia de "positivismo, entendimento e desejo" para o estreitamento dos laços entre os dois países.

Além disso, também sem especificar uma data, antecipou que uma missão iraquiana, liderada pelos ministros do Petróleo, Hussein al-Shaharestani, e da Defesa, Abdel Kader al-Obeidi, "viajará a Paris para analisar a cooperação" em matéria de energia e segurança.

Além disso, Maliki revelou que ambos concordaram com a continuidade dos contatos na esfera política, e que a França está disposta a apoiar o Iraque para que sejam anuladas as resoluções e sanções impostas ao país.

Antes do encontro com o primeiro-ministro iraquiano, imediatamente após sua chegada a Bagdá, Sarkozy se reuniu com o presidente Jalal Talabani, com quem também deu uma entrevista conjunta.

Na coletiva, Sarkozy defendeu "um Iraque multicultural, unido e democrático", e pediu aos iraquianos que esqueçam o passado para reconstruir seu país, devastado pela guerra.

Além disso, destacou os campos nos quais ambos os países vão cooperar, como os de "energia, reconstrução, armamento e treinamento de policiais, assim como no rearmamento do Exército iraquiano".

Por sua vez, Talabani descreveu a visita do presidente francês como "um novo passo rumo à abertura de novos horizontes para a cooperação franco-iraquiana, em particular, e um empurrão para as relações do Iraque com a União Europeia, em geral".

Sarkozy, que viajou acompanhado do seu ministro de Assuntos Exteriores, Bernard Kouchner, e do ministro da Defesa, Hervé Morin, só permaneceu algumas horas no Iraque. Depois, partiu em direção a Omã. EFE sy/sc

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