O presidente francês, Nicolas Sarkozy, felicitou na noite desta quarta-feira as autoridades colombianas pelo sucesso da operação que permitiu a libertação de Ingrid Betancourt e lançou um apelo para que as Forças Armadas da Colômbia (Farc) cessem um combate absurdo e medieval. A França está pronta para acolher todos os membros das Farc que aceitarem renunciar a essa luta armada e a seqüestrar inocentes, afirmou o presidente francês em um discurso na TV, acompanhado de membros da família de Ingrid Betancourt.

A ex-candidata à presidência da Colômbia foi seqüestrada pelas Farc em fevereiro de 2.002.

O presidente também agradeceu os chefes de Estado da América do Sul que "ajudaram a França e não desistiram", citando o presidente venezuelano, Hugo Chavez, e também do Equador e da Argentina, sem mencionar nem o Brasil nem o presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Sarkozy também anunciou que o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, viajará nesta noite à Colômbia, acompanhado de membros da família de Betancourt.

Muito emocionados, os filhos da franco-colombiana, que estavam no Palácio do Eliseu, falaram logo após o presidente Sarkozy. "Finalmente chegou o momento tanto esperado. Saímos de um pesadelo. Começo a viver o maior momento da minha vida", disse Mélanie Delloye, filha de Ingrid Betancourt.

Ela agradeceu a mobilização do líder francês. "Depois que o presidente Sarkozy começou a cuidar do caso, tudo foi se encadeando", afirmou Mélanie Delloye.

"É uma imensa alegria. Uma felicidade indescritível. Não consigo acreditar. É a melhor notícia da minha vida", disse Lorenzo Delloye, filho de Betancourt.

O governo francês teve um papel importante nos últimos meses para tentar obter a libertação de Betancourt.

Sarkozy, que já durante a campanha presidencial evocou o caso da refém das Farc inúmeras vezes, desempenhou um papel ativo depois que assumiu a presidência, em maio do ano passado, realizando inúmeras iniciativas.

Sarkozy multiplicou os contatos com as autoridades colombianas e também apoiou a mediação do presidente venezuelano, Hugo Chavez.

O presidente francês chegou mesmo a declarar que estava "pronto para ir à fronteira da Colômbia buscar pessoalmente Ingrid Betancourt".

Sarkozy também enviou duas vezes mensagens ao então líder das Farc, Manuel Marulanda, pedindo a libertação de Ingrid Betancourt.

O primeiro apelo foi lançado no final do ano passado, logo após a divulgação de imagens de Betancourt nas quais ela aparecia muito magra e debilitada.

Em abril passado, em um novo discurso transmitido pela TV, Sarkozy lançou outro apelo, afirmando a Marulanda que "seria um crime não libertar Betancourt e que ele seria responsável pela sua morte".

Também em abril passado, o governo francês enviou uma missão humanitária, realizada em conjunto com a Espanha e a Suíça, para dar assistência médica à Ingrid Betancourt e entrar em contato com as Farc para negociar a libertação da ex-senadora.

Mas a iniciativa fracassou. O avião francês ficou imobilizado em Bogotá durante cerca de duas semanas e acabou retornando à França sem conseguir realizar nenhum contato com membros das Farc.

Nesta noite, Sarkozy teve uma longa conversa por telefone com o presidente colombiano, Álvaro Uribe.

O presidente francês deu sinais de que poderá se lançar em um novo combate para obter a libertação de um refém. Sarkozy mencionou em seu discurso nesta noite na TV o soldado israelense Gilad Shalit, seqüestrado por militantes palestinos.

"Não o esquecemos. A França está sempre pronta para se mobilizar quando alguém é detido de forma injusta", afirmou Sarkozy.

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