Sarkozy pede apoio asiático a resposta comum contra crise

Pequim, 24 out (EFE).- O francês Nicolas Sarkozy, presidente rotativo da União Européia, apelou hoje aos países asiáticos a se coordenarem com a Europa na busca de uma resposta comum à atual crise financeira sem precedentes.

EFE |

Na sessão de abertura da 7ª "cúpula Ásia-Europa" (Asem), em Pequim, Sarkozy assegurou que na reunião do G20 prevista para meados de novembro em Washington, "a Europa apresentará um rosto comum, com propostas refletidas e preparadas em comum".

"Pedimos à Ásia que apóie este esforço, para que em 15 de novembro possamos dizer juntos ao mundo inteiro que as causas que produziram esta crise sem precedentes não voltarão a se repetir".

"O mundo vai mal", começou dizendo Sarkozy.

Vai mal "porque enfrenta uma crise financeira sem precedentes em sua magnitude, sua rapidez, sua violência e seu desenvolvimento".

"Vai mal -insistiu- porque enfrentamos uma crise de desenvolvimento e suas conseqüências sobre o meio ambiente, que põem em questão a sobrevivência da humanidade".

E "vai mal", repetiu, "porque há 900 milhões de pessoas que não têm os meios para se alimentarem".

Diante da magnitude desses três desafios, os participantes da Asem, que representam "dois terços da população do planeta e a metade de sua riqueza", têm que somar seus esforços.

"Não é uma escolha para nós trabalharmos juntos; é um dever".

Segundo o presidente em exercício da UE, "a Europa necessita da Ásia, seu crescimento, inteligência e criatividade; e Ásia necessita da Europa, sua tecnologia, 'know-how' e estabilidade".

"A crise financeira começou nos Estados Unidos, mas é mundial e a resposta deve ser mundial".

Em relação à luta contra a mudança climática, uma frente na qual os europeus também querem ver as potências emergentes asiáticas mais envolvidas, Sarkozy garantiu que "a Europa tomará antes do fim do ano decisões extremamente ambiciosas".

"Não estamos dizendo à Ásia: faça mais esforços", mas "aplicando a nós mesmos regras ainda mais exigentes".

"Não negamos o direito de cada um ao crescimento e a elevar o nível de riqueza de seu povo, mas não aceitamos falsas idéias", explicou Sarkozy, enfatizando que "o respeito do meio ambiente não é contrário à aspiração ao crescimento".

Após a chamada à cooperação financeira, Sarkozy convidou os membros asiáticos a abordar outras questões de interesse, e não retirou os pontos mais delicados.

Em questões sociais, por exemplo, "pensamos -disse- que o lugar para uma criança de 11 anos não é a fábrica, mas a escola".

Ou sobre direitos humanos.

Apesar de ser verdade que "nenhuma região do mundo tem lições que dar a ninguém, achamos que a dignidade humana não é função nem da história nem da cultura de cada um, mas é um direito de todo ser humano sobre a terra".

A este respeito, disse, "todos e cada um dos chefes de estado e Governo europeus que participamos desta cúpula somos conscientes de nossa responsabilidade histórica", em alusão ao passado colonizador da Europa no continente.

"Talvez esta crise fique na história do mundo como o momento em que o mundo entrou no século XXI", concluiu Sarkozy. EFE jms/jp

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