Sarkozy pede à Síria que intervenha diretamente com o Hamas

No 11º dia na ofensiva israelense na Faixa de Gaza, Nicolas Sarkozy continuava nesta terça-feira seus esforços para conseguir um cessar-fogo, pedindo à Síria que pressione seus aliados do Hamas.

AFP |

Apesar da recusa categórica de Israel de suspender a operação militar sem garantias do não disparo de novos foguetes palestinos contra seu território, o presidente da França considerou uma trégua "possível" e defendeu a abertura rápida de corredores humanitários para a Faixa de Gaza.

"Estou convencido de que a Síria pode trazer uma contribuição importante na busca de uma solução. O presidente Bachar al-Assad pode ajudar. Ele precisa convencer o Hamas a optar pela razão, pela paz e pela reconciliação", declarou Sarkozy ao término de uma reunião com o colega sírio em Damasco.

Principal artesão da volta da Síria ao cenário internacional, Sarkozy conta claramente com a ajuda de Assad para pressionar o chefe político do Hamas, Khaled Mechaal, que vive no exílio em Damasco.

"É preciso fazer o máximo para que a ajuda humanitária chegue a Gaza. Espero que ainda hoje, ONGs européias possam entrar em Gaza, corredores humanitários possam ser instalados e medicamentos entregues" à população, afirmou.

Bachar al-Assad, por sua vez, denunciou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, que já deixou mais de 600 mortos desde seu lançamento, em 27 de dezembro. O presidente sírio comparou Gaza a "um campo de concentração" condenado a "uma morte lenta" e denunciou um "crime de guerra" israelense.

"Estamos agora buscando uma solução rápida a esta tragédia humana. Concordamos com o presidente Sarkozy sobre a importância de um cessar-fogo, da retirada das forças israelenses e do fim do bloqueio", acrescentou Assad.

O presidente francês marcou uma segunda reunião com o colega egípcio, Hosni Mubarak, com quem deve se encontrar ainda hoje em Sharm el-Sheikh.

"Estou convencido de que existem soluções, não estamos longe (de uma trégua). Basta um dos protagonistas dar a partida para desbloquear a situação. Se cada um ficar esperando o outro dar o primeiro passo, há dramas, dramas e mais dramas", insistiu.

Sarkozy ainda disse que a tragédia ocorrida nesta terça-feira em Gaza "reforçou" sua determinação; segundo um balanço provisório, 40 palestinos morreram quando a escola da ONU onde se abrigavam foi bombardeada pelo Exército israelense, .

"Isso só reforça minha determinação. O tempo trabalha contra nós, temos que encontrar uma solução rapidamente. É por isso que estou voltando a Sharm el-Sheikh", declarou.

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