O presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu hoje compreensão comum na luta contra a mudança climática aos representantes de 16 países industrializados e emergentes, responsáveis por 80% das emissões de gases do efeito estufa no mundo.

A "urgência" na luta contra o aquecimento global "deve nos levar a superar suas posições defensivas, por mais legítimas que sejam", a fim de organizar um "futuro em comum", afirmou Sarkozy em seu discurso no segundo e último dia de um encontro em Paris sobre a mudança climática.

Ele incentivou o conjunto da comunidade internacional a chegar a um "acordo histórico" na conferência de dezembro de 2009 em Copenhague, em virtude do princípio de "responsabilidades comuns mais diferenciadas" e no marco da ONU.

Desde quinta-feira estão reunidos em Paris representantes do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais industrializados e a Rússia), Austrália, Coréia do Sul, China, Índia, Brasil, África do Sul, México e Indonésia, além de enviados pela União Européia (UE), pela ONU e pela Agência Internacional da Energia (AIE).

O presidente francês pediu à UE e aos EUA que dêem o exemplo na luta contra a mudança climática, mas "não podem concentrar todos os esforços sobre uma só categoria de países", já que um acordo restrito a compromissos de redução de emissões por parte das nações industrializadas não resolveria o problema.

"O princípio de responsabilidade comum significa que cada um deve assumir sua parte, começando pelas grandes economias representadas aqui", ressaltou.

Sarkozy afirmou que "a igualdade exige que uns e outros participem do esforço", mas os países desenvolvidos devem aceitar obrigações "mais fortes" que as nações em desenvolvimento, para os quais a busca de um crescimento rápido é "um imperativo".

Ele disse ser "fundamentalmente apegado a este princípio de igualdade", já que, com o tempo, "não há qualquer razão pela qual certos habitantes de nosso planeta emitam 10 ou 20 vezes mais gases do efeito estufa do que outros", pois "todos sofrerão as conseqüências", recalcou.

O chefe de Estado francês afirmou que é preciso trabalhar sobre o financiamento, tanto público quanto privado, e o reforço dos instrumentos necessários para a batalha contra o aquecimento global, "começando pelo Fundo Mundial do meio Ambiente" Em seu discurso, Sarkozy afirmou que a luta contra o aquecimento global e o combate à pobreza "devem reforçar uma à outra" e disse que a atual crise de alimentos requer "respostas imediatas" e uma "estratégia ambiciosa de ajuda à agricultura".

Neste sentido, antecipou que "em breve" proporá uma cooperação "mundial" para a alimentação e a agricultura e, frente à "urgência" atual, anunciou que a França dobrará este ano verba de ajuda alimentícia, até 60 milhões de euros.

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