Sarkozy oficializa seu projeto para o Mediterrâneo, mas não sem concessões

Anne Leroux Paris, 12 jul (EFE).- O projeto da União pelo Mediterrâneo (UPM), uma das grandes iniciativas diplomáticas de Nicolas Sarkozy, será lançado oficialmente amanhã em Paris, embora muito distante da visão que o presidente francês tinha no passado sobre a iniciativa.

EFE |

Mais de 40 chefes de Estado e de Governo - incluindo dos 27 que compõem a União Européia (UE) - participarão do evento.

A cúpula, que reunirá na mesma mesa os líderes de Israel e Síria, dois países que oficialmente seguem em guerra, será encerrada com uma declaração política e a adoção dos primeiros projetos da UPM, que quer transformar o Processo de Barcelona, datado de 1995 e considerado o embrião do novo bloco, em uma cooperação "concreta".

Cercada de medidas extremas de segurança, a reunião no majestoso Grand Palais de Paris será co-presidida pelo chefe de Estado francês e seu colega egípcio, Hosni Mubarak, os primeiros a liderarem a UPM.

Para que saísse do papel a "Cúpula de Paris pelo Mediterrâneo", como a mesma é chamada pelo Palácio do Eliseu, a primeira grande reunião diplomática da recém-iniciada Presidência francesa da UE, Sarkozy teve de ceder, e muito.

A mudança de nome do projeto é por si muito eloqüente.

Em fevereiro de 2007, três meses antes da escolha da denominação, Sarkozy revelou, no porto mediterrâneo de Tolano (sudeste da França), seu sonho de uma "União Mediterrânea", com vocação para um trabalho "em linha" com o da UE.

O líder francês contemplava uma organização integrada pelos países próximos ao mar que dá nome ao novo bloco, com políticas comuns cujos pilares podiam ser a imigração, a ecologia, o "desenvolvimento solidário" e uma cooperação "integrada" para combater conjuntamente "a corrupção, o crime organizado e o terrorismo".

"Ao dar as costas para o Mediterrâneo, a França e a Europa pensavam estar virando de costas para o passado. Na verdade, deram as costas para seu futuro, porque o futuro da Europa está no sul", disse Sarkozy.

A "União Mediterrânea", que segundo alguns críticos pretendia dar à França um papel preponderante na região, parecia também uma forma de solapar a ambição da Turquia de ingressar um dia na UE, onde, para Sarkozy e muitos franceses, Ancara "não tem lugar".

A visão do chefe de Estado francês se chocaria muito em breve com uma dura realidade. Dirigentes alemães chegaram a ameaçar bloquear todos os temas da Presidência francesa da UE caso Paris não renunciasse a sua idéia, isolada.

A Espanha, por sua vez, não queria ver sepultado o Processo de Barcelona.

Em dezembro do ano passado, houve a primeira mudança de nome: Sarkozy e os presidentes (do Governo) espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e da Itália, Romano Prodi, falaram em Roma sobre "União pelo Mediterrâneo".

Em março último, o chefe de Estado francês e a chanceler alemã, Angela Merkel, selaram finalmente o acordo que retocou consideravelmente as ambições iniciais do inicial.

Depois, os 27 Estados-membros da UE fizeram novas adaptações no projeto e o batizaram de "Processo de Barcelona: União pelo Mediterrâneo" para mostrar, como queria a Espanha, que era uma "continuação" da iniciativa lançada 13 anos antes e que Sarkozy considera que "fracassou", em parte pelo conflito no Oriente Médio.

Projetos como a descontaminação do Mediterrâneo, estradas marítimas para unir portos vizinhos, um plano de desenvolvimento de energia solar e a criação de uma universidade em comum são iniciativas da UPM que ganham força.

Vencidos os obstáculos na UE, a França teve de fazer alardes diplomáticos para "vender" a iniciativa em parte do sul do Mediterrâneo. EFE al/fr

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