Sarkozy faz discurso em homenagem a soldados franceses mortos no Afeganistão

Paris, 21 ago (EFE).- O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse hoje que os franceses não têm o direito de perder no combate à barbárie, ao obscurantismo e ao terrorismo, em uma homenagem aos 10 soldados do país mortos no Afeganistão.

EFE |

"A derrota do outro lado do mundo representa uma derrota no território da República francesa", afirmou o chefe de Estado, em um discurso feito no pátio de honra do emblemático monumento dos Inválidos, em Paris.

"Hoje é um dia de luto para a nação francesa e a emoção aflige cada francês. Hoje é o momento do recolhimento", assinalou Sarkozy no ato solene realizado após uma cerimônia religiosa ecumênica na igreja Saint-Louis dos Inválidos.

O presidente e chefe do Exército falou diante dos familiares e companheiros de armas dos soldados mortos na emboscada realizada por insurgentes talibãs cerca de 50 quilômetros ao leste de Cabul, na segunda-feira passada.

Foi a pior baixa sofrida por militares franceses desde o atentado suicida de 1983, em Beirute, que matou 58 homens.

Após assinalar que a França está no Afeganistão desde 2001 em virtude de um mandato da comunidade internacional, lembrou que o país é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e, por isso, como outras nações, tem "responsabilidade pela paz no mundo".

"Fala-se muito dos direitos que conferem às pessoas uma grande potência, mas não há direitos sem deveres, e hoje se vê o preço que pode custar: o preço do sangue que pagastes", disse, diante dos 10 caixões, cobertos com a bandeira francesa.

Sarkozy ressaltou que os soldados combatiam no Afeganistão "contra o terrorismo que devastou famílias" em solo francês.

Ele insistiu que a França "não está sozinha" no Afeganistão, e "não é uma casualidade" que 25 dos 27 países-membros da União Européia (UE) estejam na região.

A morte dos soldados em uma emboscada, na qual outros 21 ficaram feridos, fez ressurgir as críticas da oposição de esquerda, mas também dúvidas nos próprios partidos da maioria conservadora, sobre a estratégia seguida no Afeganistão.

Também houve muitas dúvidas quanto às circunstâncias do drama, após as denúncias feitas por vários dos feridos em um jornal, sobre erros de comando e falta de coordenação.

Sarkozy quer que se tirem todas as conclusões do ocorrido e que todas as famílias, com as quais se reuniu após a cerimônia, "saibam de tudo".

"Elas têm esse direito", concluiu. EFE al/fh/gs

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