Sarkozy faz auto-elogios a sua política externa e critica Bush sobre a Geórgia

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, teceu nesta quinta-feira elogios à própria política externa que permitiu, segundo ele, evitar uma ofensiva militar russa em Tbilisi, acabar com a guerra no Líbano, libertar as enfermeiras búlgaras na Líbia e resgatar Ingrid Betancourt da selva colombiana.

AFP |

Ele também criticou a prudência do presidente americano, George W. Bush, na crise entre Rússia e Geórgia, ao receber no Eliseu a edição 2008 do "prêmio da coragem política", atribuído pela revista Politique Internationale.

"Quando, no dia 8 de agosto, foi preciso ir para Moscou e Tbilisi, quem defendeu os direitos humanos?", indagou Sarkozy.

"Foi o presidente dos Estados Unidos quem disse: 'é inadmissível'? Ou foi a França que dialogou com Vladimir Putin, Dmitri Medvedev e Mikhail Saakashvili (o presidente da Geórgia)?", prosseguiu, na véspera de sua viagem a Washington para a cúpula do G20 sobre a crise financeira.

"Lembro-me da ligação do presidente americano na véspera de nossa viagem a Moscou: 'não vá, eles (os russos), querem ir a Tbilisi, estão a 40 km. Não vá, denuncie'. Fomos lá com (o chanceler) Bernard Kouchner. Como por acaso, quando estávamos lá, o cessar-fogo foi anunciado", accrescentou o chefe de Estado francês.

Poucos dias após o início do conflito militar entre a Rússia e a Geórgia, o presidente em exercício da União Européia (UE) viajou em 12 de agosto a Moscou e Tbilisi para negociar um plano de paz e um cessar-fogo, aceitado pelas duas partes.

Alguns críticos, principalmente entre os países do leste europeu membros da UE, consideraram que este plano favoreceu a Rússia e não defendeu explicitamente a integridade territorial da Geórgia.

Nesta quinta-feira, o presidente Saakashvili pediu a Sarkozy que "mantenha alguns princípios" e não ceda à "realpolitik".

Nicolas Sarkozy ainda elogiou o papel dempenhado pela França no conflito libanês.

"Se não tivéssemos assumido o risco da paz e dos direitos dos libaneses de viverem livres convidando (o presidente sírio) Bachar al-Assad, o Líbano ainda estaria em guerra", declarou, respondendo às pessoas que o criticaram por ter convidado o dirigente sírio a Paris e em seguida por ter viajado a Damasco.

"Durante minha campanha eleitoral, prometi que libertaríamos as enfermeiras búlgaras (detidas pela Líbia). Foi a França quem as libertou. Vocês acham que é possível libertar quem quer que seja sem falar com os captores?", perguntou Sarkozy, justificando sua viagem a Trípoli para se encontrar com o número um da Líbia, Muammar Kadhafi.

O presidente francês também se gabou de ter sido o responsável pela libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt, refém da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) durante seis anos.

"Se a França não tivesse transformado Ingrid em um dos objetivos centrais de sua política externa, não teria sido possível resgatá-la da selva", afirmou.

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