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Sarkozy envia missão humanitária para contactar guerrilheiros das Farc

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, decidiu nesta terça-feira que enviará sem demora uma missão humanitária para entrar em contato com a guerrilha das Farc, que mantêm seqüestrada a refém franco-colombiana Ingrid Betancourt.

AFP |

Em uma conversa telefônica, por "iniciativa" de Sarkozy, o líder francês "expressou (ao presidente colombiano Alvaro Uribe) sua extrema preocupação diante das informações relacionadas ao estado de saúde de Ingrid Betancourt", informou o Eliseu em um comunicado.

Horas antes, falando a um grupo de jornalistas, Sarkozy se dirigiu diretamente ao chefe da guerrilha colombiana das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Manuel Marulanda, para pedir que liberte imediatamente a refém franco-colombiana, enquanto o primeiro-ministro, François Fillon, disse que a França está disposta a dar asilo político a membros das Farc.

"Você tem agora um compromisso com a História. Não ignore isso. Liberte Ingrid Betancourt e os reféns que estão mais debilitados", declarou Sarkozy.

O presidente francês advertiu ainda ao líder guerilheiro que, se Ingrid morrer, "será uma falha política grave", "um crime" pelo qual será responsável.

Sarkozy já havia lançado um apelo a Marulanda em dezembro do ano passado.

O presidente Uribe, por sua vez, referindo-se à conversa telefônica com Sarkozy, anunciou a suspensão das operações militares na área onde a missão francesa irá atuar.

"Expressamos nosso completo acordo para permitir que uma missão médica internacional entre em contato com os reféns e cuide deles", disse Uribe à imprensa, afirmando que a missão será "acompanhada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha".

Paris enviou neste fim de semana um avião com equipes médicas para a Guiana Francesa, que voltou à França pouco depois. Outra aeronave está preparada em território francês para decolar a qualquer momento, com o objetivo de resgatar Ingrid Betancourt se ela for libertada.

O apelo solene de Sarkozy entra em cena num momento em que versões alarmantes sobre o estado de saúde da ex-candidata à presidência da Colômbia são divulgadas, dando conta que a refém sofre de hepatite B e leishmaniose.

"Fontes relativamente seguras anunciaram que ela começou uma greve de fome no dia 23 de fevereiro", indicou o presidente do Comitê de Apoio a Ingrid Betancourt (CSIB), Arnaud Mangiapan, após uma reunião nesta terça-feira com Sarkozy.

Diante da "urgência" da situação, a família e os comitês de apoio relançaram uma forte mobilização pela libertação da franco-colombiana.

"As Farc têm que se dar conta de que, se algo acontecer com a minha mãe, eles serão os primeiros responsáveis, e não terão nenhum futuro político", declarou a filha da refém, Mélanie Delloye, pedindo à guerrilha que responda ao apelo de Sarkozy.

Por sua vez, o CSIB entregou nesta terça-feira ao presidente francês uma petição com mais de 600.000 assinaturas para que faça "tudo o que estiver a seu alcance" para estimular uma negociação com as Farc.

Francois Fillon reafirmou nesta terça-feira que a França está disposta a receber em seu território membros das Farc detidos na Colômbia em troca da libertação de Ingrid Betancourt, que receberiam o status de "refugiados políticos".

pa-ib/ap/LR

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