O presidente da França, Nicolas Sarkozy, enfrenta nesta quinta-feira uma nova jornada de greves e manifestações contra sua política de combate à crise, em meio a um clima social cada vez mais tenso em algumas empresas privadas, onde os cortes de postos de trabalho foram anunciados.

"A crise agora tem uma face", disse o líder do sindicato moderado CFDT François Chérèque. "Todo mundo conhece um vizinho, um amigo que foi atingido", disse.

Todos os sindicatos e os partidos de esquerda fizeram um apelo à mobilização e esperam reeditar o êxito da jornada de ação do dia 29 de janeiro, que havia reunido entre 1 e 2,5 milhões de manifestantes, segundo as fontes.

Os sindicatos pretendem obter aumentos de salários e medidas em favor do poder aquisitivo, considerando insuficientes as respostas para a crise apresentadas no dia 18 de fevereiro por Nicolas Sarkozy.

Entre essas duas jornadas de mobilização, a situação econômica se degradou ainda mais e a tensão social aumentou. O desemprego registrou uma alta recorde, e atinge mais de 2 milhões de pessoas.

Neste ambiente assustador, a grande maioria dos franceses apoia o movimento de protesto: 78% consideram a jornada "justificável", segundo uma pesquisa divulgada na terça-feira.

Algumas empresas causaram escândalo ao suprimir empregos: a petroleira Total, com 555 postos a menos apesar dos lucros recordes, e a alemã Continental, que fechou uma fábrica de 1.120 pessoas.

Com isso, as ações de alguns funcionários se radicalizaram (PDG da Sony França sequestrado, diretor da Continental atingido por ovos). "Eles estão em estado de legítima defesa", justifica o líder do sindicato Força Operária, Jean-Claude Mailly.

Os sindicatos poderão se inspirar nas greves da Ilha de Guadalupe, na qual os manifestantes conseguiram um aumento de 200 euros nos salários após 44 dias de greve geral.

O Executivo já alertou que não vai liberar mais dinheiro para não aumentar os déficits: o primeiro-ministro François Fillon assegurou que não haverá "nenhum pacote a mais" depois dos 2,6 bilhões de euros liberados em 18 de fevereiro para as famílias em pior situação.

Nicolas Sarkozy afirmou nesta quarta-feira aos ministros "que compreende a preocupação dos franceses neste momento de crise", indicou o porta-voz do governo Luc Chatel.

Frente ao descontentamento popular, vários representantes da maioria pediram, em vão, ao governo o aumento da contribuição dos mais ricos, por meio da suspensão do limite de pagamento de impostos em 50%.

A radicalização do debate social parece favorecer a extrema esquerda, representada pelo jovem líder Olivier Besancenot, sempre presente nas manifestações.

Este clima preocupa os patrões. A jornada terá um "custo em termos de demagogia, de ilusões criadas", considerou Laurence Parisot, líder do patronato.

Mais de 200 manifestações devem ser realizadas em toda a França, segundo os sindicatos.

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