Sarkozy encontra presidente sírio antes de cúpula

Por Samia Nakhoul PARIS (Reuters) - O presidente sírio, Bashar al-Assad, pediu à França no sábado para que ajude nas negociações de paz entre a Síria e Israel, ao lado dos Estados Unidos.

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Dando fim a anos de isolamento do Ocidente, Assad realizou negociações com o presidente francês Nicolas Sarkozy, às vésperas de uma cúpula entre a União Européia e os países do Mediterrâneo, e indicou sua vontade de realizar negociações diretas com Israel.

Em uma declaração em conjunto da França e da Síria depois do encontro, Sarkozy disse que a determinação de Assad de estabelecer relações diplomáticas com o Líbano também é bem-vinda.

'O presidente sírio expressou seu desejo que a França, ao lado dos Estados Unidos, contribua para um futuro acordo de paz entre a Síria e Israel, a fim de mediar as negociações de paz e a implementação de um acordo de paz', diz a declaração.

A Síria lançou negociações de paz indiretas com Israel este ano, sob a mediação da Turquia. O diálogo visava negociar a devolução das Colinas de Gola, capturadas por Israel em 1967.

As últimas negociações de paz diretas entre Israel e a Síria com a mediação dos EUA foram interrompidas há oito anos.

Desde então, Washington vem relutando em se envolver com Damasco, por conta do seu papel no Líbano e de seus vínculos com o Irã.

A declaração acrescentou que Sarkozy visitaria a Síria em meados de setembro para reiniciar as relações entre Paris e Damasco, que estão tensas desde o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês, Rafik al-Hariri, em 2005.

A França acredita que o assassinato foi orquestrado por Damasco, uma acusação que Assad nega.

Assad encontrou o presidente libanês Michel Suleiman pela primeira vez no sábado, como também o emir de Qatar, xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, que ajudou a mediar o acordo de divisão de poder entre as facções libanesas pró-Ocidente e pró-Síria, em maio.

Suleiman disse a jornalistas no sábado que as relações entre a Síria estavam bem e que seu país gostaria de estabelecer uma missão diplomática em Damasco.

'Queremos obviamente uma troca de embaixadores e relações diplomáticas com a Síria', disse ele, depois do encontro com Sarkozy.

A criação de embaixadas representaria o reconhecimento da soberania do Líbano pela Síria.

A Síria é um poder influente na região e nos assuntos políticos e militares do Líbanos, mas os dois países nunca trocaram missões diplomáticas permanentes, desde a independência do Líbano em 1943.

A França e muitos países ocidentais esfriaram suas relações com a Síria em anos recentes, transformando o país em um verdadeiro pária e acusando Assad de desestabilizar o Líbano e de fomentar a violência na fronteira com o Iraque.

Entretanto, depois do acordo que encerrou as hostilidades internas no Líbano, a França decidiu retomar as relações diplomáticas com a Síria e Sarkozy convidou Assad para a cúpula da UE e do Mediterrâneo.

A conferência não apenas dá a Assad a oportunidade de se encontrar pela primeira vez com Suleiman, mas também o coloca pela primeira vez em um evento oficial dos qual o primeiro-ministro de Israel participa.

A cúpula de sábado vai receber mais de 40 chefes de Estado e governo em Paris. Seu objetivo é dar um novo alento à parceria Euro-Med, criando um diálogo mais igualitário entre os países do Mediterrâneo.

(Reportagem adicional de Emmanuel Jarry e Francois Murphy; Redação de Crispian Balmer e Paul Taylor)

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