Sarkozy encerra missão de presidir a União Européia prometendo voltar

Nicolas Sarkozy encerrou nesta terça-feira, em Estrasburgo, a missão de presidir por sua vez a União Européia (UE), afirmando ter aprendido com a experiência e prometendo voltar.

AFP |

Sarkozy defendeu com unhas e dentes os resultados de seus seis meses de presidência, marcados pela guerra entre Rússia e Geórgia e pela crise econômica mundial, citando, ainda, a aprovação do plano de luta contra o aquecimento global e o "não" irlandês ao tratado de Lisboa.

O presidente francês defendeu seu jeito enérgico e voluntarista de comandar a Europa, criticado por algumas capitais européias e sobretudo por Berlim.

"Tentei mudar a Europa, mas foi a Europa que me mudou. Quem tem a sorte de conhecer e ter que resolver os problemas de 27 países durante seis meses ganha em tolerância e em abertura de espírito", discursou Sarkozy diante dos deputados do Parlamento Europeu.

"Tentamos organizar toda nossa ação em torno de duas convicções: o mundo precisa de uma Europa forte. Não pode haver Europa forte se a Europa estiver desunida", explicou, admitindo que foi forçado a "fazer concessões".

O presidente francês afirmou também que "o Parlamento Europeu foi um elemento decisivo para conseguir resultados".

Quase todos os chefes dos grupos parlamentares aprovaram a presidência européia de Sarkozy. Joseph Daul, líder do Partido Popular Europeu (centro-direita), agradeceu a ele por ter "favorecido o surgimento de uma Europa política". O socialista Martin Schulz, que admitiu ter tido algumas "dúvidas" no início, disse que Sarkozy manteve uma atitude de "partidário da Europa".

No entanto, o presidente francês também não pôde esquivar dos detratores. O deputado ecologista francês Daniel Cohn-Bendit o acusou de ter "se curvado ao nacionalismo econômico alemão", de ter utilizado o Parlamento Europeu como "um viagra para governos" e de ter se encontrado "furtivamente" com o Dalai Lama para não irritar a China.

"Sempre que aparece uma câmera de TV, parece que você fica possuído", respondeu ironicamente Sarkozy, destacando a diferença entre o homem "simpático, tolerante e cortês" dos jantares no Eliseu - sede da presidência francesa - e sua "caricatura" pública.

Apesar de reconhecer o balanço satisfatório de Sarkozy como líder da UE, o chefe do grupo liberal, o britânico Graham Watson, convidou o dirigente a ficar um pouco mais em segundo plano e ser menos onipresente no cenário europeu a partir do dia 1 de janeiro.

"Você não precisa fazer tudo, deixe o ministério das Finanças a Jean-Claude Juncker e o euro a Jean-Claude Trichet", pediu Watson.

Contudo, a solicitação do deputado europeu foi prontamente rejeitada por Sarkozy.

"Ninguém pode considerar que seria positivo para a Europa que a França saia de cena só porque exerceu a presidência durante seis meses. Não! Muito pelo contrário, tomarei iniciativas", respondeu o presidente francês, aproveitando para relançar sua controvertida proposta de reunir com mais freqüência os chefes de Estado e de governo da Europa.

"Será preciso, de uma forma ou de outra, que passemos a falar mais de economia", avisou.

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