Alberto Masegosa Jerusalém, 3 jan (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, enfrentará amanhã em Jerusalém o desafio mais difícil na curta, mas promissora carreira que leva como pacificador internacional em seu ano e meio de mandato: arrancar de Israel uma trégua em Gaza.

Após terminar com sucesso mediações no Chade e na Geórgia, conciliar interesses na União Européia e recuperar o tom na relação entre Washington e Paris, Sarkozy corre o grave risco de que seus bons ofícios concluam pela primeira vez em um fracasso.

O presidente francês conta por antecipação com o "não" que deu esta semana o Governo de Israel à sua proposta de declarar um cessar-fogo humanitário de 48 horas na faixa palestina.

A rejeição lhe foi ratificada depois no Palácio do Eliseu e em pessoa por Tzipi Livni em uma viagem relâmpago que a ministra de Relações Exteriores israelense realizou à capital francesa.

A ofensiva militar de Israel registrou, desde então, uma escalada com a ocupação de Gaza por tropas terrestres.

Algum dado, no entanto, deve permitir a Sarkozy não jogar a toalha e retroceder no empenho, porque ele confirmou sua visita a Jerusalém uma vez que na quinta-feira Livni finalizou a dela a Paris.

E não fez nenhuma ameaça de suspendê-la nem de adiá-la desde o início, no sábado, da invasão terrestre de Gaza.

O presidente francês se tornará assim o primeiro líder ocidental a pisar o solo israelense quando está em andamento a operação militar que Israel lançou contra o Hamas, mas que em nove dias matou mais de 100 civis (o número exato ainda é indefinido).

E se arrisca a retornar à França com as mãos vazias e ser atingido pela chuva de críticas que aumenta sobre Israel por esse drama.

O perfil pessoal, familiar e político do chefe de Estado francês poderia evitar-lhe, no entanto, essa sorte.

De origem hebraica por parte de mãe, Sarkozy foi um dos poucos estadistas de nível mundial que visitou Israel no ano passado por ocasião de seu 60º aniversário e sua classe dirigente lhe agradeceu com profusão o gesto em plenário.

Ele também fez amigos no mundo árabe, fortalecendo as privilegiadas relações que seu país manteve tradicionalmente com os do Magrebe, à exceção da Líbia, todos ex-colônias francesas.

E conseguiu uma aproximação com Damasco, que sempre havia rivalizado com Paris por influir no Líbano.

Esse país é, além disso, uma antiga colônia da França, mas a Síria o considerava até há pouco uma extensão de seu território; precisamente é para Beirute que Sarkozy viajará na terça-feira, após Jerusalém, em sua breve viagem pelo Oriente Médio.

Todas estas coordenadas impedem descartar que o presidente francês consiga com sua visita algum fruto, apesar da bem conhecida inflexibilidade de Israel a esse tipo de missão.

O comunicado que a Presidência israelense divulgou hoje para anunciar sua chegada parece deixar a porta aberta.

A nota especifica que o propósito de Sarkozy não é outro além de uma trégua: algo não habitual no mundo diplomático: o anfitrião identificar claramente um objetivo que sabe de antemão que será difícil o hóspede alcançar. EFE amg/jp

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