O presidente Nicolas Sarkozy da França, país que assume a presidência da União Européia em 15 dias, encontrou-se, nesta segunda-feira em Praga, com chefes do governo tcheco, eslovaco, polonês e húngaro, para tratar do futuro do Tratado de Lisboa, após o não irlandês.

Antes da reunião com o mandatário francês, os primeiros-ministros do chamado "grupo de Visegrad", reunidos na capital tcheca em uma cúpula regional, relativizaram os efeitos do referendo irlandês, desejando principalmente que o processo de ampliação da UE não sofra com os riscos da reforma institucional européia.

"Devemos encontrar uma solução que não esconda os problemas existentes e não introduza na UE um novo debate fundamental sobre a reforma institucional", declarou Mirek Topolanek, da República Tcheca, que assumirá a presidência rotativa após a França.

"Queremos nos reunir em Bruxelas e encontrar uma saída a curto prazo para essa situação", assinalou.

"Os últimos acontecimentos na Irlanda não devem de maneira alguma serem desculpas para se trabalhar menos na ampliação da UE, com parceiros como a Croácia e outros países", assinalou o polonês Donald Tusk, que retornou em seguida ao seu país para um encontro com a chanceler alemã Angela Merkel.

"Seria muito, muito ruim para o conjunto da UE se as lágrimas e as lamentações relativas ao que aconteceu ao Tratado de Lisboa prevalecessem", acrescentou o eslovaco Robert Fico, considerando que o atual aumento dos preços do petróleo e dos alimentos é uma questão mais importante. "As complicações" no processo de ratificação "não devem influenciar o aumento da UE", acrescentou.

Como reflexo dessas declarações, o comunicado final do grupo de Visegrad é dedicado à cooperação regional, sem alusão às questões institucionais européias.

Apesar das perguntas dos jornalistas a esse respeito, o premier liberal da República Tcheca - que deve se reunir com Sarkozy posteriormente para tratar de um plano bilateral - recusou-se a fazer qualquer prognóstico sobre o futuro do Tratado no seu país, explicando que, nesse momento, tudo dependia do parecer do Tribunal constitucional sobre o texto.

Topolanek, que detém a maior parte do poder dentro do executivo, também se recusou a comentar as declarações do presidente tcheco Vaclav Klaus, para quem o "não" irlandês representou a "vitória da liberdade e da razão, sobre o projeto elitista e artificial da burocracia européia".

O líder, que não irá participar das reuniões nesta segunda por estar se recuperando de uma operação no quadril, reiterou os seus ataques contra a Europa, em uma entrevista ao jornal tcheco Lidove Noviny.

"Deixe o povo que vive no continente europeu ser tcheco, polonês, italiano, dinamarquês... não os torne europeus. Trata-se de um projeto errado", disse.

Com o "não" irlandês, o Partido Liberal Democrático Cívico (ODS), fundado por ele e chefiado por Topolanek, tem "uma oportunidade única para enterrar o tratado", declarou nesta segunda-feira o jornal econômico Hospodarske Noviny.

"A República Tcheca hesita: de acordo com muitos diplomatas, analistas e especialistas, o país poderia desferir um golpe mortal no projeto de reforma da UE", prossegue o jornal.

A posição tcheca é ainda mais importante ao se levar em conta que o país vai assumir a presidência rotativa da UE em janeiro de 2009. O presidente francês é favorável à continuação do processo de ratificação.

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